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A crise do etanol, a economia e o meio ambiente

| 23/12/2014 - 00:01

Dilceu Sperafico*
A crise enfrentada pelos produtores de etanol, a pior dos últimos 30 anos, não atinge apenas os usineiros, plantadores de cana-de-açúcar e trabalhadores do setor.
As dificuldades também afetam, em menor ou maior proporção, ao agronegócio, à economia nacional, à preservação ambiental e a qualidade do ar nas grandes cidades.
Conforme levantamentos de consultorias especializadas, a crise decorrente do endividamento do setor iniciou em 2006, quando se acreditava que o biocombustível iria substituir os derivados do petróleo, por razões estratégicas, econômicas e ambientais.
Desde então, no entanto, os custos de produção só aumentaram, enquanto o preço final do etanol foi reduzido.
Com isso, só no Estado de São Paulo, que concentra cerca de 60% da produção de cana-de-açúcar e do biocombustível do País, 26 usinas encerraram suas atividades nos últimos quatro anos.
Isso porque a situação se agravou em 2008, quando a crise financeira internacional reduziu a oferta de crédito para as empresas, incluindo as usinas brasileiras.
A falta de financiamentos, aliada aos problemas de gestão de parte das empresas e ao congelamento dos preços da gasolina, reduziram a competitividade do etanol e afetaram gravemente as usinas nacionais.
O contraditório é que o preço do petróleo também caiu, apesar do crescimento da frota de veículos automotores em todo o planeta.
Como os maiores importadores mundiais de petróleo, como os Estados Unidos, elevaram a produção e reduziram as compras, o setor petrolífero também passou a enfrentar dificuldades, agravadas pelas restrições ambientais aos combustíveis fósseis e o aumento da geração de energias renováveis.
Diante do impasse, não há esperanças de recuperação do setor sucroalcooleiro nacional no curto prazo, apesar do consumo de etanol reduzir muito a emissão de poluentes, que contribuem para o aquecimento global e prejudicam a qualidade de vida da população, especialmente nas grandes cidades.
Com isso, cidades como Sertãozinho, em São Paulo, um dos principais centros de tecnologia e produção de álcool e açúcar do Brasil, que apresentava crescimento de 10% ao ano até 2006, hoje amarga o fechamento de duas e o processo de recuperação judicial de uma terceira, das sete usinas do município.
Sem encomendas das indústrias de etanol, 500 metalúrgicas fecharam10 mil postos de trabalho na cidade, após a redução do faturamento pela metade.
Com a crise, Sertãozinho, caiu do 4º para o 54º lugar no índice Firjan de desenvolvimento, que mede a qualidade de emprego, renda, saúde e educação entre cinco mil municípios brasileiros.
A situação é tão grave, que também afeta os cerca de dois mil pequenos produtores de cana-de-açúcar, que fornecem o produto às usinas do município.
Para complicar ainda mais o cenário do setor, a grande estiagem deste ano ainda reduziu em mais de 20% a produtividade de cana-de-açúcar em São Paulo, que caiu de até 90 toneladas por hectare para 70 toneladas.
Com menos matéria-prima disponível, usinas de etanol anteciparam o encerramento da safra, de novembro para outubro.
Em conseqüência, empresas do setor estão vendendo ou arrendando parte de suas terras para grupos internacionais, como alternativa ao endividamento.
Para começar reverter o quadro, o setor espera que o governo eleve de 25% para 27,5% a adição de etanol na gasolina em 2015, aumentando a demanda em do produto em 1,2 bilhão de litros.
*O autor é deputado federal pelo Paraná. E-mail: dep.dilceusperafico@camara.leg.br
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