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Sobre política agrícola: Sem retrocessos

| 30/12/2014 - 00:01

Ricardo Tomczyk*
“Construímos muitos muros e poucas pontes.” – Isaac Newton
Passados alguns dias após as eleições presidenciais, temos que retomar o debate sobre o futuro da política agrícola em nosso País. Inicialmente, precisamos entender o assunto como um tema de relevância estratégica para a nação. Se não pela necessidade de termos mecanismos que garantam segurança alimentar para os brasileiros, então pela importância que a agropecuária tem sobre nossa balança comercial – e, por consequência, sobre nossa economia.
Embora haja uma força motriz na agricultura e pecuária contemporâneas centrada na iniciativa privada, o setor rural é guiado por políticas públicas. O entendimento que o Governo tem sobre o setor é crucial na tomada de decisões. Taxas de juros, ambientes de mercado, regras ambientais, legislação: diversas são as intervenções públicas que afetam o cotidiano do agricultor, em sua propriedade ou fora dela.
É de fundamental importância, portanto, que olhemos com atenção para a representação política que o setor do agronegócio terá neste segundo mandato da presidente Dilma Rousseff. Atualmente, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento vem sendo conduzido por um agricultor de origem, representante de Mato Grosso: Neri Geller. Além dele, o estado de Mato Grosso participa do Governo por meio da Secretaria de Política Agrícola, ocupada hoje por Seneri Paludo, ex-gestor da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) – um técnico de reconhecida competência Brasil afora.
Situação essa que não causa estranheza. Afinal, Mato Grosso é o estado da federação com maior relevância agropecuária. Não bastando a enorme produção de soja e milho, que tanto contribui para saldos positivos na balança comercial, tem também o maior rebanho bovino do País, além de ser o maior produtor brasileiro de algodão e girassol. Apesar dos resultados positivos, está em Mato Grosso também a situação logística que mais desafios apresenta ao Governo: menos de 20% das rodovias no estado são pavimentadas, e projetos de intermodalidade estão caminhando a passos lentos.
Nesse cenário, não faz sentido que o estado deixe de participar nos momentos de definição de políticas públicas afetas ao setor. A manutenção do atual ministro na pasta seria uma decisão natural por parte da presidente, aos olhos do setor. O mais importante, entretanto, é que o espaço para a interlocução continue aberto para os produtores rurais mato-grossenses. A escolha por nomes inclui vários fatores para além da visão estratégica do setor, e compreendemos isso. Mas o reconhecimento sobre o papel relevante que Mato Grosso tem no cenário nacional, principalmente no que diz respeito ao agronegócio brasileiro, não pode ser reduzido.
Propomos então, que tanto hoje como em 2015, o Governo Federal aplique na prática o compromisso expresso por Dilma Rousseff em seu primeiro pronunciamento após ser confirmada como presidente reeleita do Brasil: “esta presidente está disposta ao diálogo”. Estamos alinhados com a necessidade de diálogo e aguardamos a confirmação de que a construção de pontes, e não de muros, será constante nesta nova gestão.
* Ricardo Tomczyk é advogado, agricultor em Rondonópolis (MT) e presidente da Aprosoja/MT.
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