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O melhor presente

| 22/12/2015 - 00:01

Jeandré C. Castelon*
Sempre ouvi histórias de pessoas que diziam que durante toda a vida receberam presentes modestos, quando do seu aniversário ou no Natal. Que era uma alegria ganhar uma camisa nova, em um tempo onde as dificuldades financeiras eram mais evidentes, (não que tenham deixado de existir pessoas carentes de recursos financeiros; ainda há muitos que vivem na miséria). Crianças que precisavam esperar até o Natal para serem presenteadas com uma barra de chocolate, desses que são compradas com algumas moedas em supermercados.
Muitos desses brasileiros, que quando era possível, recebiam singelos presentes, passaram a viver em melhor situação econômica, e querem que os filhos não sofram as idênticas privações. É bastante comum os pais realizarem seus próprios anseios de infância, presenteando a criança com determinado brinquedo que lhes era tão desejado.
As agências de propagandas faturam milhões incentivando o consumo de produtos, que de um dia para o outro, tornam-se imprescindíveis como num passe de mágica, e logo tornar-se-ão obsoletos, para que outros novos possam tomar o seu lugar, sem deixar o consumidor escapar de dentro deste círculo vicioso.
Em datas comemorativas, têm-se perdido o verdadeiro sentido da festa, sendo destacado apenas a troca de presentes, onde na realidade a reflexão e o afeto deveriam predominar. Talvez o maior disparate ocorra durante o Natal. Período em que o comércio comemora altas vendas e onde exaustos operários em elastecida jornada de trabalho, esgotam suas forças, na busca pelo diferenciado e polpudo salário.
Durante a época do Natal, não condeno a troca moderada e consciente de presentes. Entretanto, isso não é o que realmente importa. Vivemos num país onde mais de 86% da população se declara cristã, contudo parece que a maioria não se dá conta do verdadeiro sentido do Natal, esquecem-se do aniversariante, esquecem-se de Jesus. É Jesus quem dá o verdadeiro sentido ao Natal, recordando-se o momento em que Deus se fez pequeno diante dos homens. “O Criador do gênero humano, tomando corpo e alma, dignou-Se nascer duma Virgem; e, feito homem sem progenitor humano, tornou-nos participantes da sua divindade!” (Liturgia das Horas).
No Natal celebramos o nascimento de Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem. E durante este tempo de paz e renovação, cabem aos pais ou responsáveis, primeiros catequistas das crianças, ensinarem-lhes a razão pela qual o mundo inteiro festeja essa data. É Deus quem primeiro nos presenteia, ao enviar seu Filho Unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna (João 3, 16). É Jesus a verdadeira estrela, que ilumina nossos passos durante o árduo caminho. É Jesus o verdadeiro presente. É Jesus a luz do mundo.
Que não seja perdida a efêmera oportunidade, durante a aurora infantil, de pôr em prática o valoroso conselho escrito no Livro dos Provérbios (22,6), onde assim exorta: “ensina à criança o caminho que ela deve seguir; mesmo quando envelhecer, dele não se há de afastar”. Não deixemos que as crianças cresçam alheias a Jesus Cristo, o verdadeiro Natal.
Desejaria encontrar, ao invés de apenas longas filas dentro de lojas para ver o Papai Noel, também grandes filas nas portas das Igrejas, onde os cristãos permaneçam contemplativos, por pelo menos alguns instantes, na companhia do aniversariante.
Que você e sua família tenham de fato um feliz e santo Natal!
O autor é advogado e membro da Pastoral Familiar
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