Editorial

O verão chegou e com ele o desafio do Aedes

| 22/12/2015 - 00:01

O verão brasileiro de 2015 inicia oficialmente hoje, dia 22 de dezembro, e com ele começa também uma das maiores provações que nossa nação deverá atravessar neste anos. Trata-se do enfrentamento do mosquito Aedes aegypti, tarefa na qual temos fracassado na maioria dos últimos verões mas que neste pode ter consequências bem mais graves do que nos últimos anos. É que pela primeira vez enfrentaremos o vírus Zika, cujo ineditismo e desconhecimento no Brasil tem levado a quadros mais graves entre suas vítimas, que começaram a aparecer apenas em abril deste ano. O problema com o “mosquito da dengue” já é antigo e infelizmente já causou muitas mortes, mas neste ano há o complicador envolvendo as gestantes, que pode levar uma epidemia a deixar marcas no Brasil ao longo de muitos anos. Portanto, apesar de todos os interesses político-partidários e das eleições do ano que vem ainda chamarem a atenção de muitos líderes de olhos nas eleições do próximo ano, é preciso que as autoridades e a própria sociedade se preparem, organizem e cobrem dos responsáveis as ações necessárias e proporcionais à gravidade deste problema de saúde pública.
Ao ameaçar as gestantes e os bebês que ainda estão se desenvolvendo o vírus Zika pode atingir o Brasil de uma forma que – guardadas as proporções - tivemos caso semelhante apenas no episódio da Talidomida. Neste caso atual porém temos os recursos e os meios para nos anteciparmos ao problema, precisamos apenas da decisão e da ação, enquanto no caso do remédio de efeitos terríveis havia um desconhecimento a respeito. Se o problema é conhecido em seus riscos e dimensão, portanto, precisamos apenas dar a ele a prioridade necessária e buscar os recursos capazes de colocá-lo em primeiro lugar entre as ações dos governos nas três esferas e também da própria sociedade, que pode e deve sim buscar fazer sua parte no sentido de alertar e cobrar dos responsáveis a sua parte nas ações. Independentemente de colorações e interesses políticos, o verão chegou e chegou com o El Nino, que agrava o calor e as chuvas que favorecem a disseminação do mosquito e isto precisa ficar claro desde já e para todos. As eleições de outubro portanto devem ser vistas apenas como o espaço que servirá para apurar os danos sofridos a partir das ações ou falta de ações governamentais e da própria sociedade e julgar os responsáveis por isto.
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