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Pela trilha do Sinai

| 23/12/2015 - 00:01

Tarcísio Vanderlinde
Não chega ser tão brilhante como a Estrela de Magalhães,que costumamos ver na constelação do Cruzeiro do Sul. Contudo, o que torna a estrela modesta da constelação da Ursa Menor tão importante, é o lance de que desde tempos imemoriais, os humanos terem notadode que ela ficava “fixa” num determinado ponto do céu, sendo que as demais estrelas pareciam girar em torno dela. O fato de ela se apresentar como eixo imaginário, possibilitou que se tornasse ponto de referênciapara viagens no hemisfério norte da Terra.
Ali, no coração do Sinai (Egito), aproximadamente a 30º de latitude norte (Porto Alegre fica em latitude equivalente no hemisfério sul), um pouco apagada, estava a estrela. Com ajuda de um amigo,utilizamos como referência as constelações da Ursa Maior e Cassiopeia para localizaro objetivo. Durante quatro horas, na madrugada do dia 17 de maio de 2014, enquanto caminhávamos pela trilha que nos levaria ao topo do Monte Sinai, pudemos observar como as outras estrelas“giravam” ao redor da Estrela Polar. Foi como um Natal fora de época.
Os apreciadores das estrelas têm diminuído de número. O mundo de hojetêm coisas mais interessantes para serem observadas. Ao contar suas memórias num filme, o octogenário cineasta japonês Akira Kurosawa aparece como um viajante que chega a uma determinada aldeia. Ali, ele encontra um ancião de 103 anos de idade, com o qual trava um diálogo ontológico.
A certa altura o viajante percebe que a eletricidade ainda não havia chegado àquele lugar, fato que o levou a considerar de que naquela aldeia as noites deveriam ser muito escuras. “É, assim é a noite”, respondeu o ancião. “Por que a noite deveria ser clara como o dia? Eu não ia querer noites claras que não deixassem ver as estrelas”.
Cecília Meireles, em uma de suas poesias, percebe o mar como metáfora de um tempo longo. E nele, nós, a navegar como os antigos velejadores. No céu, constelações e estrelas a nos guiar:“Muitas Velas. Muitos remos. Âncora é outro falar...Tempo que navegaremos, não se pode calcular.Vimos as Plêiades. Vemos agora a Estrela Polar.Muitas velas. Muitos remos.Curta vida. Longo Mar”.
Eu deveria ter uns cinco anos quando numa madrugada de verão, meu pai me acordou para que eu o acompanhasse numa viagem. Ainda estava escuro, e quando saímos de casa o clarão da Via Láctea me impressionou muito. Meu pai apontou para uma estrela que se destacava e falou: “aquela é a Estrela da Manhã”.
Nos anos seguintesaprendi que as constelações mudavam com o curso das estações.Mas tambémentendi que as estrelas poderiamrevelar muito mais. Elas costumam nos mandar mensagens de um tempo longo que pode ajudar a viver o tempo breve que é concedido a cada um de nós.
Há aproximadamente dois mil anos, uma estrela brilhou intensamente para avisar a alguns observadores atentos, que algo extraordinário havia acontecido.
[email protected], um Feliz Natal! E até!
*O autor é docente na Unioeste
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