Cidade

Campanha da Fraternidade alerta para o tráfico humano

| 02/03/2014 - 00:00

O bispo da diocese de Toledo, Dom João Carlos Seneme, lançou na sexta-feira, dia 28, em Toledo à Campanha da Fraternidade, que vai debater neste ano o tráfico de pessoas. Ele falou em entrevista coletiva, ao lado do assessor da Campanha da Fraternidade para a diocese, padre André Mendes, e da coordenadora da equipe encarregada da cartilha distribuída aos estudantes, professora Maria Auxiliadora Perón, sobre os riscos deste crime, que passa despercebido pela falta de números oficiais. Ele movimenta R$ 32 bilhões ao ano e pode ser comparado ao tráfico de drogas e de armas. O tráfico humano é a escravidão dos tempos modernos e o Brasil está entre os primeiros nas estatísticas de crimes desta natureza, destacou o bispo. Segundo ele, a predominância é entre as mulheres, envolvendo prostituição e trabalhos forçados. O Brasil está em terceiro lugar, ficando atrás da Nigéria e da China. “É uma realidade difícil, que envolve 1,2 milhão de pessoas, e que a igreja resolveu trazer esta discussão a tona”, observou.
Segundo ele, a questão é muito complexa e de difícil denúncia, uma vez que as pessoas que sofrem com este tipo de problema, especialmente o tráfico sexual, enfrentam preconceito e baixa autoestima, o que muitas vezes impede a denúncia e punição dos culpados.
Na diocese de Toledo, segundo afirmou padre André, é necessário dar uma atenção especial, uma vez que embora não confirmados exigem indícios de algum tipo de crime, especialmente com relação a adoção ilegal de crianças. “As pessoas não denunciam, o que torna mais difícil a identificação e punição dos culpados, mas pelas conversas que tivemos com algumas pessoas, em nossas andanças, pudemos perceber que existem indícios de tráfico humano, também na nossa região, entre eles a adoção ilegal”. Ele observou também a proximidade com Foz do Iguaçu e os riscos de uma região de fronteira.
Outra observação feita foi com relação ao trabalho no exterior. Segundo padre André, muitos tem filhos no exterior e não sabem as condições reais de trabalho destes, o que gera preocupação constante.
A campanha da fraternidade, destacaram, é o momento ideal para os cristãos refletir sobre determinados temas que afligem as pessoas. Neste ano, a opção pelo tráfico humano, foi feita em decorrência ser este um crime que atenta contra a vida, porém pouco abordado. Os dados apresentados mostram que o tráfico humano se compara a outros crimes, como o tráfico de drogas, sem, no entanto, merecer a devida atenção pela falta de registros. Dados da Organização Internacional de Trabalho, de junho de 2012, estimou que as vítimas do trabalho forçado e exploração sexual chegam a 20,9 milhões de pessoas em todo o mundo. A pesquisa constatou que 4,5 milhões (22%) das vítimas são exploradas em atividades sexuais forçadas; 14,2 milhões (68%) em trabalhos forçados em diversas atividades econômicas; e 2,2 milhões (10%) pelo próprio Estado, sobretudo os militarizados. Os traficantes se aproveitam da vulnerabilidade econômica e social de muitas pessoas em processo de migração para aliciá-las.
Além do tráfico humano para a exploração sexual e trabalho, outro aspecto observado foi a exploração para o tráfico de órgãos, um dos crimes mais cruéis. Segundo padre André, este tipo envolve questões éticas, pelo envolvimento de pessoas que precisam de uma doação e de outros que podem vender um órgão do corpo, além de profissionais. O transplante é um tipo de cirurgia que não se faz em qualquer lugar. É preciso uma clínica especializada e profissionais habilitados, disse ele, para dar uma ideia das pessoas envolvidas neste processo.
Ele alertou também para o tráfico de crianças e adolescentes para fins de adoção, um problema igualmente sério e que afeta a dignidade humana.
Educação
Na diocese de Toledo, esclareceu padre André, o trabalho já começou com reuniões de preparação de lideranças religiosas, que vão atuar como agentes multiplicadores. Ao todo foram preparados 300 agentes, que deverão atuar no repasse das informações e na discussão do tema. Além disso, foi preparada uma cartilha e outros materiais, que serão utilizadas nas escolas para abordar o tema com crianças e adolescentes. Foram preparados 8 mil livros para professores e 38 mil cartilhas para estudantes do primeiro ao quinto ano do ensino fundamental e mais 45 mil calendários para os estudantes.
O projeto, desenvolvido há nove anos, elabora materiais que servem de subsídios para professores das escolas municipais, estaduais e particulares dos 19 municípios e 30 paróquias que fazem parte da diocese, envolvendo 7.842 professores. Todos os professores dos 19 municípios, das escolas públicas e privadas de Toledo e da região foram visitados, garantiu padre André. O trabalho deverá ser iniciado nas escolas, após o carnaval, no início da quaresma. Os temas serão abordados com enfoques diferenciados, conforme a faixa etária. Com os menores, as discussões deverão girar em torno de valores e autoestima, enquanto com os maiores a discussão direta do tema proposto na campanha da fraternidade. “Todo o trabalho é feito com acompanhamento e de acordo com a faixa etária. Temos esta preocupação”, ressaltou Maria Auxiliadora.
Durante a quaresma, no Domingo de Ramos, informa padre André, deverá ser feita uma campanha solidária, visando a coleta de recursos para apoio de projetos que visem superar a vulnerabilidade social de crianças e adolescentes. Os projetos serão analisados por uma comissão, que deverá definir aquela que poderá receber recursos financeiros para o seu incremento.
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