Editorial

As discussões distorcida e a necessária sobre gastos

| 24/12/2015 - 00:01

A questão do número de vereadores voltou a ser discutida nesta semana em Toledo, embora o assunto já esteja superado em função das normas que regulam o tema não mais permitirem alterações visando as eleições do próximo ano. A situação criada na verdade tem servido apenas para gerar atrito e desgaste na relação entre o setor empresarial e o político, especialmente os vereadores, sem que resulte em alguma consequência efetiva para o cotidiano dos toledanos. Isto mostra que o segmento empresarial na verdade não buscou o devido embasamento e com esta atitude mostrou que a questão legislativa e sua relação com a sociedade democrática não recebeu a atenção merecida. Isto é uma falha em tempos democráticos, onde a sociedade funciona a partir de um sistema de pesos e contrapesos onde cada setor deve exercer sua força, mas considerar também as demais envolvidas, tanto em termos de estratégia como também de bom relacionamento, já que a articulação e a negociação são fundamentais para se chegar a consensos ou a maiorias capazes de embasar projetos de maior alcance. É o caso da proposta de redução de custos no setor público pretendida pela entidade e suas coligadas, que precisa ser levada à sociedade ou pelos menos aos segmentos que eventualmente vai atingir, como no caso da representatividade política, base do regime democrático.
Na verdade ao atingir a representatividade, especialmente do interior e bairros, a proposta acaba sendo insensível às suas consequências e assim torna-se fonte de desgaste, expondo-se à pecha de autoritária. Para as populações dos bairros e distritos, sem um acesso privilegiado que segmentos empresariais têm a vários espaços de decisão, falar em reduzir a composição da Câmara Municipal ,significa sim acenar com a possibilidade de cortar seu acesso facilitado às esferas de decisão do poder público. Esta medida por si só porém não representa economia, podendo na verdade ser fonte de maiores gastos, se não, houver controle do uso dos recursos. Para termos o devida redução de gastos na verdade muito mais acertado seria reduzir os subsídios dos vereadores para níveis pelo menso próximos dos valores pagos no Poder Executivo. Os subsídios dos secretários municipais na verdade balizavam os vencimentos dos vereadores até esta legislatura, quando a Câmara Municipal definiu um aumento de mais de 40% nos salários pagos aos edis. Esta foi a verdadeira elevação de gastos feita no passado e que pode ser corrigida para a próxima legislatura. O resto é apenas cortina de fumaça e perda de tempo.
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