Editorial

A energia da ministra pode ser uma força para a democracia

| 13/09/2016 - 00:01

Em seu primeiro discurso como nova presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), a ministra Cármen Lúcia defendeu ontem a transformação no Judiciário, diante da constatação dela de que a população brasileira está descontente com a Justiça do país. A posição da ministra deve ser saudada como uma lufada de ar fresco num dos três poderes da República justamente no momento em que a sociedade está desacreditada das instituições em meio à crise política eu até aqui envolveu Executivo, Legislativo e Ministério Público mas com participação apenas externa do Judiciário. A nova presidente do Supremo mostra com sua postura que a Corte Suprema do Brasil também pode dar sua contribuição para que a sociedade brasileira veja o Judiciário como um poder efetivo, garantidor da cidadania através da distribuição de justiça. Para isso porém é preciso que este poder que é o mais distanciado da população supere este distanciamento histórico e busque reforçar seu laços com a sociedade, fortalecendo assim o sentimento de justiça e portanto a própria democracia brasileira.
Em sua posse ontem a segunda brasileira a assumir a presidência do Supremo – a primeira foi Ellen Grace -, afirmou que uma transformação no Judiciário é "urgente e necessária", apontando como caminho para isso a diminuição do tempo de duração dos processos. De acordo com a ministra, os cidadãos exigem satisfação de seus direitos e ela mostrou estar aberta à sociedade e seus anseios em relação ao Poder Judiciário. A ministra começou seu discurso dirigindo-se aos cidadãos brasileiros, a quem chamou de "autoridade suprema sobre todos nós, servidores públicos", num gesto de enorme valor simbólico quando toma a frente de um poder até aqui conhecido por seu distanciamento. Na verdade porém o mesmo STF que recebeu o primeiro negro em suas cadeiras, através do ex-ministro Joaquim Barbosa, mostra novamente que pode sim dar sua contribuição para que esta aproximação ocorra e assim se fortaleçam as instituições enfraquecidas pelo desgaste de disputas políticas e fragilidades institucionais que têm marcado o próprio Brasil. A postura da ministra é coerente com uma trajetória no Supremo que pode ser resumida pelo rigor em casos envolvendo corrupção, pela postura firme a favor dos direitos das mulheres e o trato com a "coisa pública" e assim traz um novo ânimo ao Poder Judiciário e às instituições republicanas, que podem ser todas beneficiadas pela energia e contribuição que a nova presidente do STF exibe e coloca à disposição ao assumir o cargo.
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