Editorial

EDUCAÇÃO: Beto Richa conseguiria ler este texto até o final?

Sérgio Ferreira | 19/01/2017 - 00:01

Duas provocações serão lançadas inicialmente nesta reflexão acerca das recentes medidas anunciadas pelo governador Beto Richa, com relação à educação pública estadual. Isso se faz necessário para que possamos mensurar melhor o tema abordado no decorrer.
A primeira. Para se chegar e este nível de capacidade na elaboração de um texto opinativo, o profissional da comunicação já passou pelas ‘mãos’ de uma quantidade imensa de professores, que até se perde a conta. E, para você leitor, ler e entender este conteúdo, com certeza, também teve algum tempo dedicado aos ensinamentos em sala de aula. Salvam-se aqui todos os autodidatas que nunca tiveram um professor na vida e conseguem entender o que aqui se escreve.
Na segunda provocação ao exercício de pensar, vamos pegar nossa maior riqueza produtiva do Paraná: a agricultura. Sempre comemorada por ser a responsável pelos índices positivos de exportação do Brasil. Além disso, é comum ouvir que: “se não fosse o agricultor não teríamos comida na mesa”. Sem entrar no mérito da diferença entre agronegócio e agricultura familiar, é uma afirmação apropriada. Por isso, a agricultura merece todo nosso respeito e apoio por parte dos governos para que se desenvolva e produza cada vez mais e com melhor qualidade.
Mas, voltamos para a sala de aula. Ao nosso exercício do dia. Refletir sobre o papel do professor e a sua importância para todos nós. Afinal, sem ele eu não escreveria e você não leria este texto. Certo? Também podemos afirmar, parafraseando a ditado sobre a agricultura, que “sem professor nenhuma outra profissão nos tempos atuais existiria”. Certo? É, talvez aqui tenhamos algumas raríssimas exceções neste caso, mas o fato praticamente todo profissional da atualidade um dia passou pelos ensinamentos de um ‘estimado ou estimada mestre’. Captou a mensagem ‘amado guru’?
Pois bem. Feito esse primeiro exercício, vamos aos fatos que nos levam a esta reflexão. Na última segunda-feira (16) o governador anunciou, por meio secretário chefe da Casa Civil, Valdir Rossoni, algumas alterações para o ano letivo que se inicia. Relata-se:
Primeira alteração: nos critérios da distribuição de aulas – “não serão atribuídas aulas extraordinárias a professores (as) do PSS (Processo Seletivo Simplificado) que somaram 30 dias ou mais de afastamento por qualquer motivo nos últimos três meses de 2016. Também haverá novo critério para a distribuição das aulas: tempo maior de exercício em instituição de ensino nos últimos cinco anos e com menos dias de afastamentos (mesmo os legais como licença médica)”.
Segunda alteração: na atribuição de hora-atividade – “redução da hora-atividade. A secretária de Educação anunciou que para cada 20 aulas distribuídas, somente cinco serão como hora-atividade. Hoje são sete, em cumprimento ao Plano de Carreira da Categoria e ao estabelecido na Lei do Piso Salarial Profissional Nacional”.
Essas alterações já projetam um número superior a sete mil professores a menos no quadro do ensino público estadual, de acordo com o sindicato da categoria. Cerca de sete mil desempregados. Cada professor terá duas horas a menos de hora-atividade. Agora, para cada 20 aulas distribuídas, somente cinco serão como hora-atividade. Até o ano passado, das 20 aulas, sete eram dedicadas às atividades extras, que são as preparações de aulas e correções de avaliações, por exemplo.
Ou seja, mesmo em meio a enorme crise na educação brasileira de uma forma geral, professores paranaenses terão menos tempo ainda para preparar suas aulas, revisar conteúdos, corrigir provas, entre outras tantas necessidades para se elaborar bons conteúdos a serem aplicados.
Com isso, Beto Richa pretende diminuir gastos com a contratação de novos professores, o que de fato irá acontecer, mas aumentará a sobrecarga em cima de outros profissionais da educação e, ao mesmo tempo, punirá quem por algum motivo teve que se afastar para tratamento de saúde, ou qualquer outro motivo previsto em Lei.
Ao que parece. o nobre governador, que teve o pai considerado um dos melhores governadores para a história da educação no Paraná, tem alguma grande mágoa dos seus professores. Ou ele não tem, ao contrário de você que leu este texto até aqui, a paciência para entender um contexto tão importante para melhorarmos a humanidade, como este. Aliás, desumanidade é uma palavra que soa apropriada para essas retaliações contra os professores paranaenses. Será que o governador, com todo o respeito, teria lido esse texto até o final?
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