Editorial

A rodoviária de Toledo: três problemas em um

Sérgio Ferreira | 21/01/2017 - 00:01

Na edição de quinta-feira (19), a Gazeta de Toledo abordou um assunto preocupante e recorrente na imprensa toledana, as condições do Terminal Rodoviário Alcido Leonardi. Inaugurado há mais de 30 anos, o terminal carece de vários reparos na estrutura física e atualmente serve de amparo para a população de moradores de rua e indígenas que praticamente residem na praça ao lado. São três situações em uma. A questão do terminal, a dos moradores de rua e a dos indígenas que vem crescendo assustadoramente em Toledo nos últimos tempos.
Com relação ao terminal, de acordo com o coordenador do espaço, Ubaldo Rech, existe um projeto de reforma, o que poderia amenizar a questão física da estrutura. Mas, será que Toledo pelo porte, infraestrutura urbana, importância econômica e turística que ostenta, não merecia um novo terminal? Um terminal mais moderno, com espaço amplo para área gastronômica, lojas, espaço para espera com ar condicionado, cabines melhores para as empresas rodoviárias. Um terminal que seja cartão postal aos visitantes ou aos passageiros de vários lugares do Brasil e outros países que cruzam diariamente pela nossa cidade e levarão em suas mentes a imagem do nosso terminal. Quem viaja de ônibus com certeza tem na memória imagens dos terminais das grandes cidades, Maringá, Londrina, Curitiba, Florianópolis ou mesmo Cascavel.
Em relação aos moradores de rua, esta é uma realidade que se espalha pela maioria das cidades do Brasil. Não podemos cair na tentativa de resolver isso a qualquer custo, como já se fez em períodos anteriores, em que se enchia uma Kombi com moradores de rua em Toledo e levava-se para outras cidades. Transferindo, assim, o problema para outro município. É preciso pensar uma política pública eficiente que envolva os profissionais do Serviço Social, que, aliás, tem na Unioeste de Toledo um dos cursos melhor avaliado nacionalmente. Que tal chamar acadêmicos e corpo docente para pensar alternativas viáveis e humanas para essa situação?
A questão indígena é a mais preocupante. Apesar de taparmos os olhos aos nossos povos originários que hoje vivem um processo de ‘favelização’ de aldeias muitas vezes abandonadas pelo Estado, essa é uma realidade que assombra e causa angustia em quem tem o mínimo de humanidade. Outras realidades são ainda mais desesperadoras na região, é o caso dos indígenas de Guaíra, que vivem em várias aldeias ‘favelizadas’ e em áreas provisórias, com o risco eminente de serem expulsos a qualquer momento e virem a inchar ainda mais a população indígena de rua na região. A questão indígena precisa ser vista com a devida cautela que se deve ter na ação humanitária. É uma questão grave que nos salta aos olhos agora em Toledo, nas esquinas e nos semáforos. É preciso debater saídas, alternativas, políticas públicas, com especialistas e autoridades. O que não se pode é pensar saídas imediatistas e ainda mais segregadoras do que as que temos aplicado ao longo da nossa história.
Por fim, as três questões postas quando se fala sobre o Terminal Rodoviário Alcido Leonardi, são possíveis de serem resolvidas. Talvez não da forma mais adequada, mas o que não podemos é fazer de conta que não vemos o que nos revela um espaço que merece ser modernizado, mas que tem, ao seu lado, vidas que precisam da atenção do poder público e da sociedade.
    SEJA o primeiro a comentar
  • Nome

    E-mail

    Escreva um comentário

Notícias de 'Editorial'

Meu ponto de vista sobre o aumento do IPTU em Toledo.

Mais Destaques

AgroGazeta

Matéria prima com origem gera alimentos com qualidade

Segurança

BPFron apreende 35 pistolas, 51 carregadores e oito mil munições

Esporte

Toledo enfrenta o Foz hoje

Gente X Poder

Das três perguntas feitas á administração* de Toledo e que ainda estão sem respostas, vamos engrossa

Geral

Prosperidade de bilionários impulsiona grande desigualdade global

Cidade

Municípios receberão R$ 6,6 bi da participação no ICMS em 2018

Política

Porto Alegre vive clima de apreensão com julgamento de Lula

Cultura

Dia de festa para um dos grandes violonistas do país

"Dirigiu bêbado e foi pego, ANOTE AI: é crime sem fiança! A pena mínima é de CINCO ANOS de reclusão, perde a careteira de motorista definitivamente e essa pena NÃO se pode converter mais em prestação de serviços, ou seja, vai ficar PRESO! "
(Governo Federal)
Enquete
Tempo Toledo
Cotações
Compra Venda
Dólar comer.
Euro (real)