Opinião

Bem-aventurados os que colocam a sua segurança em Deus

| 28/01/2017 - 00:01

Mateus, no seu evangelho, apresenta Jesus e seu projeto de vida. Seu desejo é despertar nos ouvintes a fé e o seguimento de Jesus que veio para revelar o amor de Deus por toda a humanidade.
No início do evangelho, Mateus nos diz quem é Jesus, depois apresenta a sua missão. Hoje ele, através das bem-aventuranças, nos dá a conhecer como Jesus irá realizar a sua missão: com palavras e com gestos, Jesus propõe aos discípulos e às multidões o “Reino”. Para isso ele apresenta o conteúdo de sua mensagem, o Reino dos céus, que provocará reações porque ela subverte a lógica da época.
A mensagem de Jesus não pode ser transformada em um discurso inocente. Ao exaltar os pobres, os humildes, os misericordiosos, os perseguidos, Jesus coloca no centro o que Deus vai realizar através dele. É um conteúdo que provoca questionamentos porque inverte a ordem existente. Os protagonistas do Reino não são os que têm dinheiro, conhecimento e fama, mas aqueles que, aos olhos de todos, são perdedores e falidos.
Desta forma, Jesus declara o paradoxo de Deus e seu Reino: os fracos, os pobres de Deus “porque deles é o Reino dos Céus”. Somente poderão aceitar que Deus participe de sua vida aqueles que não são autossuficientes, que não possuem a segurança do poder do dinheiro para lhes garantir tudo. Para essas pessoas não há lugar para Deus, não há lugar para o próximo. Por isso, Mateus não supervaloriza esta ou aquela condição humana. O que importa não é a condição social ou econômica em que a pessoa se encontra. O que realmente importa é Deus e sua justiça. Os critérios humanos são abandonados e invertidos. Deus mesmo vai se empenhar para mudar o modo como o mundo está estruturado.
Os pobres de Deus são homens reais, que vivem em situação de carência extrema, são marginalizados, sofrem e choram. Mesmo assim são os primeiros a se empenhar na construção da paz, são misericordiosos, esforçam-se em estabelecer uma relação justa com a humanidade e com Deus. Estes são os construtores do mundo novo, as testemunhas do Reino. Porque o Reino dos céus, segundo as bem-aventuranças, corresponde ao pão que partilhamos, à mão que estendemos ao inimigo, ao ato de violência que impedimos, ao sorriso dado.
Hoje o evangelho aborda uma situação difícil nos dias atuais. Este é caminho de Jesus que não se intimidou diante da perseguição e da morte. Por rezemos a Deus que se faz presente na nossa história, que Ele nos ajude, ele que foi manso e humilde de coração, a sermos, nós também, mansos e construtores de paz numa geração que não possui a paz.
Dom João Carlos Seneme, css
Bispo de Toledo
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