Editorial

O Eike nosso de cada dia

Sérgio Ferreira | 01/02/2017 - 00:01

O Eike nosso de cada dia

Ver um bilionário que já figurou entre os 10 mais ricos do mundo se entregar espontaneamente à justiça brasileira, sozinho, sem a presença de um advogado sequer, apenas com a exclusiva companhia de um jornalista global, causou certa empáfia entre boa parte dos brasileiros. Principalmente por parte da imprensa tupiniquim.
Eike Batista viajou seus últimos momentos de liberdade entre os aeroportos JFK, em Nova Iorque e, Tom Jobim, no Rio de Janeiro, monitorado apenas pelas câmeras de Rede Globo. Os momentos finais do mega empresário, antes de ser preso pela Polícia Federal no Rio de Janeiro, foram cheios de um ‘glamour simplório’, digamos assim. Eram os capítulos finais antes de passar pela humilhação de ter a cabeça raspada e ser levado para uma penitenciária comum.
Ainda no aeroporto americano, a espera dos instantes finais de luxúria na classe executiva de um vôo internacional, algumas ‘selfies’ lhe davam o status que qualquer outro criminoso comum não teria. Se, para alguns, ‘bandido bom é bandido morto’, talvez, para outros, bandido rico é outro papo. Apesar, que, não se tem ainda, nenhum crime provado e julgado contra Eike. Ele é apenas acusado, como muitos dos presidiários enjaulados nas cadeias públicas e penitenciárias Brasil afora.
Grande parte da imprensa aproveitou para dizer, aquilo que o próprio prisioneiro VIP de Bangu 9 disse ao repórter do Jornal Nacional: “Olha, eu digo que o Brasil que está nascendo agora vai ser diferente porque você vai pedir as suas licenças, você vai passar pelos procedimentos normais, transparentes e, se você for melhor, você ganhou e acabou a história”, previu o bilionário tido até então como foragido e procurado pela Interpol.
‘Óh! Que grande verdade! É a imprensa brasileira que está dizendo!’ Poderíamos argumentar sem medo de errar. Não. É melhor muita cautela nessa hora. Afinal de contas, os mesmos meios de comunicação que ecoam o marketing de humildade da prisão de Eike Batista, sustentam o ‘status quo’ de outros empresários corruptos e corruptíveis. Sim. São eles, editores, jornalistas, colunistas, comentaristas especializados, os mesmos que vivem articulando a favor de políticos corruptos donos da imprensa. Exceto em um lugar muito especial e intocável por essas práticas medonhas: o Sul do Brasil, mais precisamente na região oeste do Paraná.
A Lava Jato de lá não leva nada daqui. Não. Aqui não temos ‘Eikes Batistas’. Temos apenas deputados, vereadores, prefeitos e empresários honestos. Aqui não lavamos nada à Jato. Nada, absolutamente nada! Nenhuma construtora superfatura em nossas terras produtivas. Aqui não. Nenhum político recebe ‘benesses’ para votar esse ou aquele projeto a favor do prefeito, do governador ou do presidente da República. Não, aqui não. Somos todos capazes de julgar e condenar Eike. Não temos ninguém desse nível deplorável de promiscuidade, que troca apoio a seus investimentos por propina com ‘Sérgios Cabrais’ da vida.
De uma vez por todas, não! Aqui não! No Sul é diferente. Principalmente aqui no oeste paranaense. Aqui nós podemos nos orgulhar. Encher o peito e dizer como disse o repórter da Rede Globo: “Agora, ele (Eike) acha que o Brasil vai mudar.” E nós? Nós, é claro, temos certeza disso, pois aqui jamais tivemos o ‘Eike nosso de cada dia’.
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