Editorial

Mais depressa se apanha um mentiroso do que um coxo

| 16/02/2017 - 00:01

Mais depressa se apanha um mentiroso do que um coxo

Mentir e fazer falsas promessas têm sido a grande especialidade da maioria dos nossos políticos. Grande parte se elege, reelege e se mantém no poder à custa de mentiras, lorotas, enganação. Essa habilidade de ludibriar pessoas parece ser uma velha tática da oligarquia política brasileira. Na ânsia pelo poder prometem coisas que farão pela metade, outras que levarão anos para serem realizadas e ainda muitas que nunca sairão do papel. Mas, a promessa sempre tem data marcada: ‘no primeiro dia de governo’, ‘no primeiro mês’, ‘nos 100 primeiros dias” e por ai vai... Como pílula amenizadora para os efeitos colaterais, deputados trazem ‘recursos’ a custa da subserviência aos governos. Para isso, se for preciso votam contra o povo e a favor de seus interesses.
Em Toledo não tem sido diferente. A troca de favores patrocina esse tipo de político enganador. No caso dos deputados essa troca acontece da seguinte forma. Diz o governador ou o presidente: “Você vota comigo tudo que eu precisar aprovar e em troca eu te arruma àquela emenda para construir um posto de saúde, uma escola, levar uma ambulância para tua base eleitoral”. Esta é a real e corrupta forma de legislar. A política que favorece políticos enganadores e seus grandes esquemas com empreiteiras que se favorecem com as obras. Nada que a Lava Jato trouxe a tona é novidade. Sempre foi assim, aqui e acolá. Fazem da política um balcão de negócios em troca de favores do governador ou do presidente, patrocinados pelo capital privado.
Ai alguns poderão dizer que estamos contra essa ou aquela administração. Não, não estamos. Este é apenas um dos papeis da imprensa. Além de informar também formar opinião, tentar ‘abrir os olhos’ da sociedade. A imprensa tem papel fundamental para acabar com esses grupos formados por políticos maus-caracteres que mentem para se manter no poder. Esses mesmos políticos que se beneficiaram com financiamento de campanhas com dinheiro oriundo das torneiras das ‘Lava Jatos’.
Lá atrás, por volta dos anos 90, nosso deputado federal, Dilceu Sperafico, afirmou que manteria seu grupo no poder por 20 anos. Não conseguiu fazer essa sequência, quebrado em 2012 com a eleição do Beto Lunitti. Mas, é preciso respeitar a visão política e estratégica do nobre deputado, pois tão logo foi derrotado se armou e, com apenas uma bala na agulha (saúde), ficou atirando por quatro anos. Resultado: virou o jogo.
Para retomar o poder a favor do grupo uma verdadeira operação de cooptação da mídia local foi colocada em prática. A ordem era uma só: silêncio sobre os problemas de Brasília (Lava Jato, votos contra o povo e tantos outros) e de Curitiba (Camburão, voto contra os professores) e uma chuva de denúncias diárias sobre os problemas da saúde local. Não teve trégua. Vários profissionais da imprensa, bem como alguns veículos de comunicação de Toledo, já que na região se detém o domínio de mais de seis rádios, além de um jornal, arregaçaram as mangas e fizeram o trabalho bem feitinho, ao ‘pedido do patrão’.
Coisa organizada, muito bem organizada por sinal, não crime, coisa mesmo para não ser mal interpretado. Visão de empreendedorismo no segmento de “comunicação”. Não aquele amadorismo protagonizado por Beto Luinitti e seu grupo, um dos piores prefeitos para o setor da comunicação em seus quatro anos de mandato.
Mas, esta Gazeta de Toledo, prezou e prezará pela verdade, pela ordem e acima de tudo, pelo que está escrito e assinado. Foram quatro anos, dando ‘pau minuto a minuto’ na mesma ‘pisada no tomate’ em que ex prefeito escorregou: o fechamento do Mini Hospital. Isso lhe causou uma das maiores derrotas nos pleitos para o executivo municipal de Toledo. Em cima disso, construíram novos heróis: “Abriremos o Mini Hospital nos 100 dias de governo”, está escrito no plano de Governo do ‘Lucio e Tita’. Isso foi falado, bradado, sussurrado, direcionado, empurrado e alimentado como a principal promessa e meta da gestão atual.
As obras já iniciaram, mas será que irão cumprir com a promessa? Provavelmente não. Afinal, hoje faltam exatamente 53 dias para que a promessa seja cumprida. A EMDUR vai conseguir cumprir com o contrato nº103/2017 assinado no dia 02 de fevereiro e finalizar todas as obras físicas para que se cumpra tal promessa?
E quando finalizarem as obras, que tipo de ‘Mini Hospital’ teremos? Além da obra física como funcionará e quais os recursos humanos terá? São perguntas que não querem calar. Será que irão mentir, será que irão cumprir, será que irão? Daí a nossa chamada no título acima: “mais depressa se apanha um mentiroso a que um coxo”.
E a oposição irá ter a mesma ‘visão estratégica’ do grande ‘guru’ do grupo atual e fazer a mesma ladainha, a mesma união e corrente para aproveitar esse possível não cumprimento de promessa?
Pergunta e mais perguntas que só o futuro trará as respostas.
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