Opinião

Avaliação Nacional de Alfabetização mostra o óbvio

| 31/10/2017 - 21:00

Especialistas em educação são unânimes em reconhecer que é catastrófico o quadro apresentado pela Avaliação Nacional de Alfabetização (ANA). O estudo mostra que mais de a metade dos alunos do 3º ano do ensino fundamental, crianças na faixa entre 8 ou 9 anos, apresentou nível insuficiente em testes de leitura e em matemática.
Para os educadores, as causas do cenário crítico estão centradas na descontinuidade das iniciativas traçadas nos planos e na implementação de políticas erradas para o setor. Em outras palavras, muda-se o governo e os planos e metas elaborados para a educação, que deveriam ser, persistentemente, seguidos dentro de uma estratégia cientificamente calculada, deixam de existir da noite para o dia.
O que ocorre no ensino básico, em que 55% dos alunos apresentam nível insuficiente em leitura e em operações simples de matemática, se estende para o ensino médio e atinge as universidades. Políticas públicas para esse setor, como bem lembrou o gerente de Todos Pela Educação, Gabriel Corrêa, devem ter bom plano, boa implementação e continuidade ao longo de vários governos para que funcionem e mostrem resultados. Justamente, tudo que não é feito.
A praga da ideologia política, que nem dentro da máquina de governo parece funcionar a contento, é estendida, sem cerimônia, à educação, desestruturando um edifício que necessita de anos para ser erguido e consolidado. O problema, neste caso, não está no solo fértil da infância, mas na cabeça dura e despreparada dos dirigentes adultos. Ao transformar os anos iniciais do ensino público em laboratório de testes, incluindo releituras do cotidiano com viés político-ideológicos, o que se tem, como produto, são alunos sem a formação básica necessária e pouco distantes do analfabetismo completo.
O pior é que essa falha no processo inicial de alfabetização se estende para os anos seguintes, favorecendo os índices de evasão escolar pela incapacidade de muitos em acompanhar o desenvolvimento e aprofundamento dos assuntos. Neste caso, os alunos sem base permanecem como alicerces expostos de um edifício inconcluso e abandonado. O que se tem dessa mistura entre currículos e grades de ensino sem metodologia adequada, permeada de improvisação ideológica e partidária, é o que apresentam os variados exames, como ANA, Enem, Pisa e outros instrumentos de aferição da qualidade de nosso ensino. Invariavelmente, eles mostram a miséria de nossas escolas públicas.
A doutrinação política, tão ardorosamente defendida por entidades de classe da educação, ao impedir que nossas crianças desenvolvam uma utopia própria do futuro, apresentam a elas um mundo antigo e maniqueísta, que nem os adultos acreditam mais. Ao trocar a educação pela doutrinação, transformando as escolas em partidos, o que se tem é isso aí, lamentavelmente.
    SEJA o primeiro a comentar
  • Nome

    E-mail

    Escreva um comentário

Notícias de 'Opinião'

Elogios para atendimento na UPA

A fadiga democrática

As “pedaladas” do Lúcio

As ovelhas escutarão a minha voz e haverá um só rebanho e um só Pastor

Olinda Fiorentin foi sondada para ser candidata a deputada

Apenas 60% das empresas da feira shopping são de Toledo.

Mensagem: Ciscopar x Gestão

Brasil rejeita os extremismos: nem Bolsonaro nem Boulos

Uso da máquina

O lixo, os cemitérios e a dengue

Mais Destaques

Estado

Ricardo Soavinski é inidicado para a Sanepar

Cidade

Conselho do Plano Diretor discute pautas da Câmara

Gente X Poder

Elogios para atendimento na UPA

Cultura

Toledo recebe hoje Projeto Integrado de Música e Dança

Geral

Acordos da CGU podem devolver R$ 10 bilhões aos cofres públicos

AgroGazeta

Agricultura coroada de êxitos e de ciência

Esporte

Paraná Clube vai enfrentar um adversário em crise

Política

PP é um dos partidos mais investigados na Lava Jato

"ultrapassamos os 13 milhões de acessos no site do Jornal Gazeta de Toledo em 3 anos. Aqui sua propaganda, propaga - 45 9.91339499"
(Leitores)
Enquete
Tempo Toledo
Cotações
Compra Venda
Dólar comer.
Euro (real)