Cultura

Dia de festa para a arte brasileira no aniversário de Portinari

| 28/12/2017 - 21:35

Auto retrato de Candido Portinari

Antes de findar 2017, dezembro marca uma passagem importante para a história das artes no Brasil. Em 29 de dezembro de 1903, há exatos 114 anos, nascia em Brodowski, no interior paulista, um dos maiores artistas brasileiros, cuja obra é reverenciada ainda hoje, mesmo após 55 anos de seu falecimento. Candido Torquarto Portinari nasceu em uma fazenda de café, sendo o segundo de doze irmãos. Filho dos imigrantes italianos de origem humilde Giovan Battista Portinari e Domenica Torquato, o menino teve pouco estudo e sequer completou o ensino primário. Mas apesar disso, participou da elite intelectual brasileira da década de 1930.
A vocação artística lhe fora despertada logo na infância e aos 14 anos de idade teve a oportunidade de exercer seus dotes, quando uma trupe de pintores e escultores italianos que atuavam na restauração de igrejas, passou por sua cidade. Eles percorriam os municípios para revitalizar as igrejas que necessitavam de reparos e quando chegaram a Brodowski precisaram de um ajudante. Dessa forma, recrutaram Portinari para auxiliá-los. Foi o primeiro grande indício do talento do pintor brasileiro.
Aos 15 anos, Candido foi para o Rio de Janeiro em busca de um aprendizado mais sistemático em pintura, matriculando-se na Escola Nacional de Belas Artes. Aos 20 anos já era prestigiado pela crítica nacional, mas somente em 1928, quando conquistou o “Prêmio de Viagem ao Estrangeiro” da Exposição Geral de Belas Artes, que Portinari ganhou o mundo. Morou em Paris e em outras cidades europeias, onde conheceu outros artistas e sua esposa, Maria Martinelli, uruguaia com quem viveu toda a vida.
Quando regressou ao Brasil, em 1931, seus trabalhos passaram a valorizar mais cores. No ano de 1935 que Cândido Portinari foi agraciado com a “Menção Honrosa” na Exposição Internacional do Carnegie Institute de Pittsburgh, nos Estados Unidos, graças a uma tela de grandes proporções, intitulada “Café”, em que retratava uma cena da colheita típica de sua região de origem. Esse evento abriu de vez as portas para o pintor naquele país e marcou o início da fase em que esteve inclinado ao muralismo.
Companheiro de poetas, escritores, jornalistas, diplomatas, Portinari participou da elite intelectual brasileira em uma época em que se verificava uma notável mudança da atitude estética e na cultura do país. Em 1944, a convite do arquiteto Oscar Niemeyer, iniciou as obras de decoração do conjunto arquitetônico da Pampulha, em Belo Horizonte (MG), destacando-se o mural “São Francisco” e a “Via Sacra”, na Igreja da Pampulha. A escalada do nazi-fascismo e os horrores da 2ª Guerra Mundial reforçaram o caráter social e trágico de sua obra, levando-o à produção das séries “Retirantes” e “Meninos de Brodowski”, entre 1944 e 1946.
Em 1949, executou o grande painel “Tiradentes”, narrando episódios do julgamento e execução do herói brasileiro que lutou contra o domínio colonial português. Por este trabalho, Portinari recebeu, em 1950, a medalha de ouro concedida pelo Júri do Prêmio Internacional da Paz, reunido em Varsóvia (Polônia).
Em 1952, atendendo a encomenda do Banco da Bahia, realizou outro painel com temática histórica, “A Chegada da Família Real Portuguesa à Bahia” e iniciou os estudos para os painéis “Guerra e Paz”, oferecidos pelo governo brasileiro à nova sede da Organização das Nações Unidas. Concluídos em 1956, os painéis, medindo cerca de 14m x10m cada – os maiores pintados por Portinari.
Candido Portinari morreu no dia 6 de fevereiro de 1962, quando preparava uma grande exposição de cerca de 200 obras a convite da Prefeitura de Milão (Itália), vítima de intoxicação pelas tintas que utilizava. No final da vida ele já sabia que os problemas de sua saúde eram decorrentes do contato com as substâncias contidas nas tintas, mas ignorou a recomendação dos médicos, que queriam proibir-lhe de pintar, e prosseguiu com sua vocação e paixão até o fim.
Partindo aos 58 anos, ele deixou uma produção com mais de cinco mil obras. Seu filho, João Candido, certa vez mencionou em uma entrevista que o pai trabalhava intensamente porque fora o primeiro artista brasileiro que conseguiu viver exclusivamente de sua arte, pois todos os outros tinham algum emprego paralelo ao ofício artístico ou eram casados com mulheres oriundas de famílias abastadas.
Candido Portinari entregou sua vida à arte e ao Brasil.
Fernando Baldi Braga
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