Economia

2018, um ano de crescimento global incronizado

| 02/01/2018 - 20:15

2018, um ano de crescimento global incronizado

O ano de 2017 que terminou foi bom para a economia mundial, com um crescimento em torno de 3,7%. As previsões de atividade foram sendo revisadas para cima à medida que o ano avançava, especialmente na Europa. Além disso, os dados positivos foram generalizados, como demonstra o fato de que apenas 6% das economias fecharam o ano em recessão, enquanto 72% dos países cresceram acima dos 2%, segundo dados do Deutsche Asset Management. No Brasil, a atividade econômica também saiu do vermelho e o Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos no país, cresce há três trimestres consecutivos. A estimativa de crescimento no país para 2018 passou de 2% para 3%. Durante as últimas semanas, bancos de investimento, brokers e gestores de fundos foram publicando suas previsões para 2018. A maioria dos especialistas prevê que será outro bom ano para a economia. É verdade que há grandes nuvens no horizonte, mas até agora os especialistas não acreditam que tragam tormentas.
A economia mundial deverá demonstrar a partir de agora que é capaz de caminhar sem o apoio dos bancos centrais. O Federal Reserve aumentou cinco vezes os juros nos últimos dois anos e começou a redução de seus resultados. De sua parte, o Banco Central Europeu (BCE) reduzirá a compra de ativos à metade e prevê finalizar o programa de incentivos no próximo mês de setembro. A normalização das políticas monetárias, desde que seja gradual, deveria ser compensada pelo ressurgimento de outros indicadores econômicos. “O crescimento depende a partir de agora em menor medida do apoio dos bancos centrais e ficou mais sincronizado em todo o mundo. Além disso, o consumo está aumentando na China e nos Estados Unidos, enquanto que na zona do euro seu nível se aproxima do nível anterior à crise. Esses aspectos, assim como os investimentos corporativos, a melhora dos salários e do mercado de trabalho, e o aumento da demanda doméstica devem empurrar progressivamente a alta das economias em todo o mundo”, segundo Michaël Lok, presidente executivo da UBP Asset Management.
O investimento em bens de capital despencou em 2009, porque as empresas frearam gastos e planos de expansão. A recuperação do chamado capex foi lenta, mas em 2018 se espera uma alta devido ao crescimento dos rendimentos e ao clima de maior confiança. “O investimento empresarial voltou. Depois de anos questionando a qualidade de uma recuperação dependente demais do rebote cíclico do consumo, 2017 representou um ponto de inflexão na composição do crescimento. Como resultado, estamos vendo os primeiros brotos verdes nos dados de produtividade que podem reativar um motor completamente parado durante anos”, afirma Javier Ortiz de Artiñano, analista da Fidentiis Gestión.
Do lado empresarial, também se espera, além da alta do capex, outro fator de dinamismo, com as fusões e aquisições, alentadas pela solidez da economia mundial, alguns níveis de efetivo empresariais historicamente altos, custos de financiamento ainda baixos e o incentivo da reforma fiscal norte-americana para a repatriação de dividendos. “O esforço para criar líderes regionais na Europa é um fator de impulso adicional para os movimentos corporativos”, relembra Michael Strobaek, responsável global por investimentos do Credit Suisse.
O banco suíço também aposta em um impulso do comércio internacional ao calor de uma expansão das principais economias. Os intercâmbios comerciais entre os mercados emergentes, que viveram uma grande bonança nos anos prévios às crises, mas que demonstraram um rendimento medíocre desde então, devem avançar outra vez. “É provável que a recuperação dos grandes exportadores de matérias-primas, que também são notáveis importadores de bens de consumo, incluídos Brasil, Rússia e os produtores de petróleo do Oriente Médio, contribua para essa tendência”, segundo Strobaek.
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