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Marqueteiros adonaram-se da política

| 22/11/2014 - 00:01

Hélio Duque*
Nas últimas duas décadas o publicitário Duda Mendonça foi o falso “mago inovador” da propaganda política eleitoral no Brasil. Fez escola ao ajudar a eleger, dentre tantos, Paulo Maluf, prefeito de São Paulo ou Lula da Silva, presidente da República. Com o tempo, o descrédito das urnas, o desinteresse em relação às eleições, o alto custo das campanhas levou o marqueteiro-mor do engodo a defender a extinção do horário eleitoral na televisão. Entende que a produção dos programas eleitorais para a TV, com alta dosagem de sofisticação e falsificação é responsável pelos milhões de reais que elevam a cifras extravagantes e suspeitas, o custo das campanhas políticas.
A exemplo do que acontece no mundo desenvolvido, prevaleceria o debate dos temas de interesse direto da população. Ao invés de “bonecos falantes” diante das câmaras lendo no “teleprompter” os textos escritos pelos marqueteiros, tornando indigente o debate público nacional, os candidatos falariam diretamente, em tempo real, com a população. Para Duda Mendonça: “Teríamos duas vantagens. A primeira é que para ir a um debate o candidato só precisa de um paletó e, se não tiver, pode pegar emprestado. A segunda é que em debates a influencia do marqueteiro existe, mas é muito menor. O candidato teria que conhecer de fato os temas, já que ninguém transforma uma pessoa que não sabe nada em expert em três meses.”
O publicitário baiano ao defender a sua proposta de extinção do horário eleitoral no seu formato atual, não é voz isolada. No seu caso torna-se surpreendente pela razão de ter constituído seu “portfólio” profissional e sua fortuna pessoal fazendo campanhas e vendendo ilusões pelo Brasil afora. Transformando o processo eleitoral em autêntica farsa de lesa cidadania.O Senador Mario Covas, um estadista que tanta falta faz no Brasil contemporâneo, há quase 30 anos apresentava projeto de lei sobre programa eleitorais especificando a obrigatoriedade de ser transmitido ao vivo. Na sua justificativa, Covas era direto: “O objetivo é acabar com a maquiagem eletrônica e restaurar o sentido verdadeiro do horário gratuito, que é o de igualdade de oportunidades diante do poderio econômico. Certas campanhas eleitorais recebem o mesmo tratamento que os mais caros comerciais, com a trágica diferença de que não se está vendendo um sabonete ou um automóvel de luxo, mas sim um mandato popular. Para que eleitores possam cotejar propostas, promessas ou ponto de vista dos candidatos basta um debate franco, olho no olho, diante de todos.”
O coincidente ponto de vista de Duda Mendonça, um teórico da mistificação, e do senador Mário Covas, um político competente e realista, na condenação do atual formato do horário eleitoral é fato altamente positivo. A indigência política que vem marcando a vida pública brasileira tem no atual formato um forte aliado. O debate público foi banido das eleições, e em seu lugar os “marqueteiros” tornaram-se personagens decisivos nas campanhas eleitorais.
* O autor é doutor em Ciências Econômicas pela Universidade
Estadual Paulista (Unesp) e foi deputado federal (1978-1991).
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