Artigos

Política de governo

| 28/11/2014 - 00:01

Delfim Netto*
É evidente que não existe uma causa única, mas poucos negariam que o principal fator que causou a impressionante queda da taxa de crescimento da economia brasileira que se aprofundou neste ano de 2014 foi o enfraquecimento da produção industrial. Chegamos ao final deste ano com uma parte substancial do setor manufatureiro mostrando desânimo e fraqueza. Depois de revelar grande vigor ao resistir aos efeitos iniciais da crise mundial até 2010, hoje a indústria brasileira ameaça desempregar porque tem muita dúvida sobre sua capacidade de recuperação.
A valorização do câmbio primeiro subtraiu-lhe a demanda externa (o que exportava) e depois roubou-lhe a demanda interna (substituída pela importação). O câmbio não foi tudo, mas foi quase tudo, na subtração de 370 bilhões de dólares da demanda externa e interna de bens manufaturados nos últimos 10 anos!
A valorização do câmbio somada ao aumento dos salários reais acima da produtividade do trabalho e à rápida expansão do crédito, produziu uma profunda separação entre a demanda interna de bens industriais comercializáveis e sua oferta interna, com a diferença suprida pela importação. A produção industrial não caiu por falta de demanda interna. Caiu porque parte dela foi desviada para a importação.
Para devolver a competitividade ao setor industrial, precisamos muito mais do que se procura entender por “política industrial”. Exige a compreensão que hoje em torno de 60% do comércio de bens industrializados e serviços são intra-firmas internacionais e que cerca de 400 dentre as 500 maiores delas, estão no Brasil.
A expansão de suas exportações envolve uma cuidadosa indução política: um entendimento com suas matrizes que respeite a estratégia global de lucro de cada uma. É fundamental a compreensão que a “importação” é um fator de produção como são o trabalho e o capital, além de ser determinante na redução dos custos da exportação e no aumento da produtividade total dos fatores.
Isso só pode ser feito por uma “política de governo” que transcenda a discussão superficial que insiste na “abertura” unilateral antes que se cuide de devolver a isonomia competitiva ao setor industrial. É preciso:
1. uma forte coordenação macroeconômica entre as políticas fiscal, monetária, salarial e cambial que produza um razoável equilíbrio interno e externo sem retroceder na inclusão social e
2. uma inteligente regulação microeconômica que respeite a eficiência alocativa dos fatores de produção, porque é ela que produz o aumento da produtividade e, logo, o crescimento econômico.
*O autor é economista e ex-ministro do Planejamento e da Agricultura
    SEJA o primeiro a comentar
  • Nome

    E-mail

    Escreva um comentário

Notícias de 'Artigos'

Eu creio, Senhor, mas aumentai a minha fé

Eles entraram no sepulcro, viram e acreditaram: Cristo Ressuscitou

Família e escola: uma parceria fundamental

Quo Vadis UnB

Jesus morreu na cruz para nos dar vida em plenitude

Profissão professor

Mais pobreza

A VIA PARLAMENTARISTA

A dignidade restituída e a esperança renovada

Os robôs estão chegando!

Mais Destaques
"Já foram 19 milhões que acessaram o site do Jornal Gazeta de Toledo- ISENÇÃO E VERDADE!"
(Eliseu Langner de Lima - diretor)
Enquete
Tempo Toledo
Cotações
Compra Venda
Dólar comer.
Euro (real)