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No Monte Moriá

| 29/11/2014 - 00:01

Tarcísio Vanderlinde
Por um portão do muro ocidental da Jerusalém antiga obtivemos acesso ao lugar que desde a antiguidade é conhecido como Monte Moriá. Era maio de 2014. Naquele momento, Jerusalém recebia um visitante ilustre: Papa Francisco. Ele foi convidar inimigos políticos para orar juntos pela paz. Há séculos aquele monte fora aplainado para a construção de um templo que deixou de existir definitivamente quando da sua destruição pelos romanos no ano 70 A.D. Logo na entrada, pudemos admirar alguns capitéis que se acredita ser escombros que sobraram da destruição do templo. Depois de passar por um grupo de mulheres que recitavam o Alcorão, estávamos em frente a uma das duas mesquitas construídas mais tarde naquele lugar: Al-Aqsa.
No ano de 1951, o rei Abdullah I da Jordânia foi assassinado ali por um nacionalista árabe que não aceitava a divisão do território da Palestina com Israel. Abdullah foi o único governante árabe que aceitou a partilha da Palestina entre árabes e judeus chegando a ser declarado rei da Palestina. Obedecendo acordos firmados anteriormente por Israel, aquele ambiente continua sob controle formal da Jordânia. No tempo presente o rei Abdulah II, bisneto do rei assassinado nutre relações cordiais com o Estado de Israel. No lado oposto da Al-Aqsa, depois de transpor um pequeno portal, fica-se a frente a um dos ícones mais sagrados do Islamismo. Trata-se do Domo da Rocha, com sua cúpula dourada, inequívoca marca da Jerusalém dos tempos modernos.
O Monte Moriá, Monte do Templo ou Esplanada das Mesquitas, como queira o(a) leitor(a), foi palco de disputas sangrentas desde a época dos romanos e é considerado hoje o terceiro lugar mais sagrado para o mundo muçulmano depois de Meca e Medina, centros de peregrinação que ficam na Arábia Saudita. Os crentes muçulmanos acreditam que no lugar do domo, Maomé tenha subido aos céus para dialogar com Deus e outros profetas entre os quais, Jesus e Moisés. O Domo da Rocha foi construído no ano de 690 ainda no início da história do Islamismo.
Ao sair pelo lado oposto do ambiente, fomos advertidos pela segurança árabe por pararmos alguns segundos em um determinado local para ouvir nosso guia (um judeu nascido no Brasil) explicar detalhes sobre o lugar onde nos encontrávamos: a curiosa Porta da Agulha. Ao sentir que estávamos atrapalhando, pacificamente seguimos adiante. Um pouco assustados e sem compreender o que estava se passando, tínhamos acabado de visitar um dos ambientes simbólicos mais significativos para as três grandes religiões monoteístas da atualidade: Judaísmo, Cristianismo e Islamismo.
No ano 2000, um passeio do então primeiro ministro Israelense Ariel Sharon pela esplanada foi interpretado pelos muçulmanos como uma afronta. O episódio desencadeou a Segunda Intifada (revolta) da população palestina contra o governo de Israel. Aquela intifada é também conhecida como a Revolta de Al-Aqsa, por identificar o local onde começou o levante. No início de novembro deste ano, aquele local voltou a registrar os maiores distúrbios ocorridos nos últimos 40 anos entre palestinos e a polícia de Israel. A situação em Jerusalém ficou ainda mais tensa a partir do dia 18 de novembro, com a invasão de uma sinagoga no bairro Jar Not por dois ativistas palestinos que assassinaram quatro rabinos e um policial, além de ferirem gravemente outras oito pessoas.
Assim como em toda Jerusalém, o ambiente no Monte Moriá continua muito tenso. O jornal The New York Times já havia definido aquele pedaço de chão como “os metros quadrados mais explosivos do mundo”.
O autor é docente da Unioeste-PR. tarcisiovanderlinde@gmail.com
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