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A dignidade que não tem preço

| 18/03/2015 - 00:01

Jeandré C. Castelon*
É princípio Cristão que toda pessoa seja tratada com dignidade. A dignidade humana está fundamentada no fato de que Deus criou o homem à sua imagem e semelhança: “Deus criou o homem à sua imagem; criou-o à imagem de Deus, criou o homem e a mulher.” (Genesis 1,27).
Em nossa sociedade secularizada, a dignidade do homem é medida pelo poder que possui. Pelo cargo que ocupa. Pela quantidade de dinheiro que tem.
Antes se adquiria determinados bens justamente pelo conforto de poder usufruir deles. Comprava-se um carro, por exemplo, só para poder chegar de um lugar ao outro, de forma ágil e confortável. Hoje a propaganda é direcionada a impulsionar as pessoas a comprarem coisas que não precisam para viver, fazendo-as acreditar que quanto mais possuírem, serão mais felizes e ocuparão lugares de maior destaque. Não basta ter um veículo, “é preciso que seja melhor e mais caro que o do vizinho”, e que de preferência “também lhe cause inveja”.
Do mesmo modo, infelizmente, as pessoas de forma geral, tendem a tratar melhor quem está bem vestido, quem aparenta ter dinheiro ou ocupa cargo importante. Esquece-se que o verdadeiro valor do ser humano não deve ser medido pelas exterioridades. Poucos são os que se dispõe a olhar no fundo dos olhos do seu semelhante para alcançar os valores que realmente são relevantes.
Essa falsa concepção de dignidade marginaliza e fere gravemente os mais pobres. Que não raras vezes acabam acreditando que são pessoas sem valor, inferiores, pelo simples fato de não terem acesso ao luxo e ao supérfluo. Também muitos, dos menos abastados, acabam fazendo sacrifícios enormes, passando por dificuldades financeiras, só para terem o tênis da moda, ou o carro último tipo, que a propagando fez acreditar que quem puder ostentá-lo será mais feliz e respeitado. Sacrifícios vazios, para não se sentirem excluídos, para alcançarem o mesmo patamar dos demais.
Valorizar o ser humano pelo que realmente é importante, pelo que é, e não pelo que tem. Reconhecer sua dignidade simplesmente por ser filho de Deus. Em contrapartida, sentir-se digno sem a necessidade de exteriorizar riqueza e poder. São importantes desafios, autênticas metas de vida.
Não é fácil olhar para o rico e o pobre da mesma maneira. Não é fácil olhar para o mendigo e para o “doutor”, atribuindo-lhes o mesmo peso e a mesma medida. Assim como não é fácil ser medido e julgado por uma sociedade de aparências, voltada ao consumismo. Porém, não se pode esquecer que a autêntica nobreza não tem preço. E que todos precisam reconhecer a verdadeira dignidade que se tem como pessoa, pois cada um é à imagem de Deus.
* O autor é advogado e membro da Pastoral Familiar
Blog: jeandrecastelon.blogspot.com.br
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