Artigos

Mais trinta metros de problemas

| 19/03/2015 - 00:01

Irineu Roberto Schmidtke*
Como se nós já não tivéssemos problemas demais para nos deslocar em segurança de uma cidade para outra pelas rodovias estaduais do Paraná (falta de terceira faixa, de pista dupla, de sinalização adequada,de acostamentos, falta de condições de uso nos acostamentos existentes, falta de preparo e de educação de muitos motoristas, sobra de buracos...), eis que agora o Governo do Paraná está para liberar definitivamente as AET´s (Autorizações Especiais de Trânsito) aos caminhões com nove eixos, popularmente chamados de “treminhões/bitrenzões” – aqueles enormes, pesadíssimos e lerdos “brucutus” que estão infestando nossas estradas. E os defensores da matéria alardeiam que estão a favor dos caminhoneiros, e que é uma vitória destes; afirmam ainda que, assim, o Paraná estará se igualando a outros Estados nesse assunto.
Pois eu gostaria que esses mesmos defensores da ideia esclarecessem à sociedade paranaense em defesa de quais e de quantos caminhoneiros eles estão agindo (e qual o percentual desses “vitoriosos”), porque eu converso diariamente com esses profissionais e, sinceramente, somente os patrões (que quase nunca vão para a estrada) se dizem satisfeitos em ter um “nove eixos” e, ainda assim, não são todos, porque vários já venderam esse “pepinão” e voltaram para os caminhões menores, dados os transtornos enfrentados para sua manutenção e também para sua trafegabilidade, como cerceamento de horários, falta de locais adequados para estacionar e manobrar, falta de condições das rodovias – isso ainda causa enormes frustrações nos motoristas, os quais, por sua vez, em grande parte, afirmam viver com saudades dos “sete eixos”, trabalhando insatisfeitos até por perceberem que atrapalham o ir e vir dos veículos menores, inclusive dos seus próprios companheiros de profissão. Então, a vitória é de quem, mesmo?
Quanto ao argumento de que agora o Paraná estará se igualando a outros Estados, eu pergunto: temos que seguir os bons ou os maus exemplos?
Afirmo que a liberação do tráfego desses veículos nas rodovias estaduais do Paraná é mais um retrocesso à sociedade, por um motivo muito simples: não há infraestrutura para suportá-los -nossas rodovias não foram construídas para aguentar esse tipo de veículo carregado, não foram construídas sequer terceiras faixas, quanto mais pistas duplas para receber essa inovação no transporte rodoviário de cargas. Se bem que o ideal seria construir até pistas triplas para “tamanha” evolução:esses veículos tem de 21 a 31 metros de comprimento e pesam 70 toneladas ou mais, dependendo da falta de escrúpulos e da sobra de ganância dos patrões – eles “aceleram o progresso do país” e também a falência do asfalto: não tem rodovia e nem ponte que aguente! Fora os chamados “curtinhos”, de vinte metros, onde foram feitas adaptações (“gambiarras”), acrescentando dois eixos aos sete originais, e “taca-lhe” peso (“vamoganhá dinheiro” – “tô” nem aí se der acidente, se morrer gente); além do que não há acostamentos em boa parte de nossas rodovias estaduais e, onde há, muitos não permitem que os referidos caminhões os utilizem com segurança (esburacados, estreitos, com degraus, com mato...).E é importante lembrar também quea maior parte dos Postos de Polícia Rodoviária Estadual sequer tem espaço suficiente para poder fiscalizar adequadamente um veículo com essas proporções (e todos sabemos que, quando não há fiscalização, sobram abusos). Ena outra ponta do problema estamos nós, literalmente pequenos demais face às circunstâncias, tendo que ficar atrás de um “trem” desses por quilômetros, até em retas, onde há faixa contínua (proibido ultrapassar); imaginem então numa subida, onde eles praticamente param sobre a pista, porque não conseguem tracionar o peso, ou ainda quando trafegam em comboio – como ultrapassar, e mais ainda: com ultrapassar em segurança? Deus me livre! Quem viaja principalmente pelos Campos Gerais e do Oeste do Paraná para SC ou RS sabe muito bem do que eu estou falando...
Numa comparação bem simples, lembro-lhes de que, quando um “político” sugere destino financeiro para um determinado evento, ele tem que citar a fonte de onde será retirado tal valor, para não haver desequilíbrio no Orçamento; então, para se liberar essas AET´s, porque primeiro não se criou a infraestrutura necessária para equilibrar o trânsito? Hein?
Percebo que a prioridade, mais uma vez, não são os menores, tampouco estão preocupados em facilitar o deslocamento por nossas rodovias; quem ganha, ao meu ver, são somente uns poucos patrões que, entre outras, pagam somente um motorista para conduzir a carga equivalente a duas ou até a três carretas; e,também ganha o Governo, porque uma AET dessa natureza custa uma pequena fortuna por caminhão ao ano (e o Estado está precisando arrecadar mais do que nunca).
Assim, baseado nesse contexto, defendo que, antes de autorizar o tráfego desses caminhões, deveriam ter sido executadas todas as obras de infraestrutura que enunciei, para que todos os usuários das rodovias estaduais do Paraná pudessem, sim, ir e vir em segurança, inclusive os próprios “nove eixos”. O povo? Quem está preocupado? Parece-me, mais uma vez, que o “negócio” é outro(povo)...
Bom dia!
* O autor atua na área de consultoria esportiva. E-mail: ischmidtke@bol.com.br
    SEJA o primeiro a comentar
  • Nome

    E-mail

    Escreva um comentário

Notícias de 'Artigos'

Eu creio, Senhor, mas aumentai a minha fé

Eles entraram no sepulcro, viram e acreditaram: Cristo Ressuscitou

Família e escola: uma parceria fundamental

Quo Vadis UnB

Jesus morreu na cruz para nos dar vida em plenitude

Profissão professor

Mais pobreza

A VIA PARLAMENTARISTA

A dignidade restituída e a esperança renovada

Os robôs estão chegando!

Mais Destaques
"Já foram 19 milhões que acessaram o site do Jornal Gazeta de Toledo- ISENÇÃO E VERDADE!"
(Eliseu Langner de Lima - diretor)
Enquete
Tempo Toledo
Cotações
Compra Venda
Dólar comer.
Euro (real)