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Dilma Rousseff: os diferentes perfis de chefia

| 20/03/2015 - 00:01

Marcos Morita*
Acuada pelas manifestações contra seu governo, o perfil da presidente Dilma Rousseff, tem merecido ser analisado. Seu estilo tem mudado nos últimos anos, passando de brucutu para teflon, o que talvez explique, em parte, sua queda de popularidade. Menciono estilo de chefia e não estilo de liderança, já que há uma diferença abissal entre chefiar e liderar. Em curtas palavras, o líder orienta, acompanha, confia, assume a responsabilidade e diz: “Vamos lá, estamos juntos!”, enquanto o chefe manda, fiscaliza, procura culpados, desmoraliza e não tem palavras de incentivo. Qualquer semelhança é mera coincidência.
Deixemos de lero-lero e vamos aos modelos de chefia e a maneiras para melhorar a convivência no dia a dia com cada um, aprendidos a duras penas durante duas décadas de experiência profissional:
O Brucutu: também conhecido como trator, ou “manda quem pode”. Não aceita desculpas, atrasos ou trabalhos de má qualidade. Com temperamento forte e genioso, utiliza, em alto e bom tom, argumentos convincentes e às vezes apelativos, muitas vezes humilhando os membros da equipe, de preferência, em frente ao grupo. Estar sempre pronto, ter os resultados na ponta da língua, entregar as atividades dentro do prazo e nunca, jamais tentar enrolá-lo ou enfrentá-lo, poderá ajudá-lo a alongar sua permanência nesta difícil e tempestuosa relação.
O Teflon: assim como o antiaderente homônimo, nada de ruim ou negativo consegue grudar em sua imagem, seu maior patrimônio. Liso como um quiabo ou político em época de CPI e Petrolão, desvencilha-se com facilidade de situações complicadas, tendo sempre um discurso ou resposta pronta. Em casos extremos, utiliza-se da realidade paralela, criando mundos e fantasias que só ele acredita, deixando pasmos os ouvintes. Para salvar sua pele, não titubeia em colocar terceiros em xeque. Uma boa sugestão é documentar e registrar o combinado, não deixando o dito pelo não dito.
O Estrela: também conhecido como pavão, costuma ser falante, extrovertido e um tanto egocêntrico, necessitando de aprovação e admiração constante de seus subordinados. Não raro, costuma perder tempo com autoafirmações ou brincadeiras que o tenham como centro das atenções, antes de começar a reunião ou discutir a pauta propriamente dita. Começar a conversa elogiando-o ou enaltecendo seus feitos, ajudará a amolecê-lo, abrindo a guarda. Como perderá muito tempo se vangloriando, seja breve e sintético, sabendo que o foco não estará no problema apresentado.
O Democrático: às vezes inseguro, prefere escutar a opinião da equipe a decidir sozinho. Considerada, a principio, como virtude, a democracia em demasia pode, no médio prazo, se transformar em ponto negativo. Devido ao envolvimento da equipe em todos os assuntos, esse chefe cria gargalos, postergando as decisões e voltando atrás em assuntos que todos já consideravam resolvidos, gerando mal estar e falta de credibilidade. Ajudá-lo com dados secundários e informações de mercado, assim como trazer uma breve lista de sugestões anteriormente discutidas em grupo, podem acelerar as decisões e reduzir o impacto na produtividade do grupo.
O Paizão: assim como uma galinha protege sua prole, o tipo paizão prefere ter sua equipe debaixo de suas asas. Gosta que a equipe se comporte como uma família, evitando ao máximo o conflito ou situações que venham a causá-los. Apesar de parecer confortável, pertencer a esta equipe pode gerar acomodação a seus integrantes e queda de desempenho no médio prazo. Combinar antecipadamente com o grupo decisões difíceis antes de apresentá-la a chefia, pode ser uma estratégia inteligente, seja para convencê-lo ou para manter sua empregabilidade no longo prazo.
O Bomba-relógio: desconhece a diferença entre as palavras Importante e Urgente. Costuma sentar nos problemas, deixando-os estourarem para que então decida resolvê-los. Costuma enlouquecer a equipe, fazendo de sua desorganização a prioridade do time, obrigando a todos a trabalharem conforme sua agenda a qual, não raro, vai muito além do expediente nos momentos de loucura. Organização e planejamento são as chaves para colocar um pouco de sanidade nesta situação, os quais deverão ser desenvolvidos e implantados majoritariamente pela equipe, demonstrando seus benefícios à chefia.
Em suma, diferentemente do ditado que diz: “cada povo tem o governo que merece”, não escolhemos as pessoas para as quais nos reportamos. Em épocas de fusões, aquisições e empregos de curta e média duração, é fato consumado que conviveremos com os mais diversos estilos em nossas carreiras. Entendê-los, respeitá-los e saber tirar o melhor de cada um, mesmo que a princípio pareça impossível, pode ser mais efetivo que encontrar o modelo que melhor se encaixe ao seu perfil. Infelizmente o mesmo não poder ser dito ou feito com relação a presidente, cuja saída é mudar de estação, trocar o canal, bater panelas ou sair às ruas, pedindo por sua saída.
* O autor é executivo, professor, palestrante e consultor.
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