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Jesus tomou os pães e os peixes, deu graças e distribuiu a todos

| 26/07/2015 - 00:01

Dom João Carlos Seneme, css*
Neste domingo iniciamos uma longa caminhada com Jesus através da leitura do capítulo sexto do evangelho de São João, que prefere chamar de “sinais” os milagres que Jesus realiza. Neste período ouviremos a narrativa da multiplicação dos pães e o discurso eucarístico de Jesus na sinagoga de Cafarnaum. Os fatos extraordinários realizados por Jesus apontam para algo bem maior e valioso que é amor de Deus por todos nós e o seu projeto salvador que será realizado por Jesus. Esta é a grande revelação que Jesus veio realizar: “Todos aqueles que Deus me deu eu os salvarei a todos”. Da nossa parte é exigida a fé que provoca seguimento e conversão de vida.
Passo a passo, como muitas vezes acontece com no evangelho de São João, o evangelista vai desenvolver a mensagem escondida dentro de um sinal. Após a cura do cego de nascença, ele irá explicar o que é a verdadeira cegueira: a de quem se recusa a ver a realidade à luz de Deus. O sinal de hoje, a multiplicação dos pães, é o ponto de partida para desenvolver o tema da Eucaristia. Também será um momento de decisão para os seguidores de Jesus: adesão a Ele e seu projeto ou recusa e abandono.
Geograficamente estamos no lago de Tiberíades. Duas atitudes de Jesus nos chamam a atenção: retirar-se num lugar deserto e voltar para atender as pessoas que o procuram. Retirou-se porque era procurado somente pelos milagres que realizava e não pela fé; voltou por causa da necessidade física e espiritual das pessoas.
Jesus coloca uma dificuldade para os seus discípulos: como alimentar tanta gente? Filipe e André veem a situação de forma humana e material: é impossível, não há dinheiro suficiente para comprar alimento para todos. Veem um menino com cinco pães de cevada e dois peixes. Muito pouco para alimentar tanta gente. Diante do impossível o milagre acontece: todos se alimentam e há sobras, doze cestos, para alimenta uma outra multidão. É significativo a figura da criança que, no pensamento da época, era símbolo de pessoa indefesa; os pães de cevada e peixe eram alimento dos pobres. Ou seja, Deus realiza o milagre da multiplicação dos pães e sacia a fome de uma grande multidão com o impossível, humanamente falando. Jesus representa a generosidade de Deus que alimenta a todos.
Neste sentido, o sinal, multiplicação dos pães e a fome saciada, nos conduz à Eucaristia. Os discípulos e a multidão não conseguem perceber e entender profundamente o que acaba de acontecer: eles veem o sinal/milagre, mas não compreendem a dimensão do pão partilhado; será necessária a explicação de Jesus. O verdadeiro pão partilhado não é aquele que eles acabaram de comer: é o próprio Jesus, o pão que desceu, ele é o verdadeiro dom de Deus. Esta prova de amor é oferecida a todos que querem fazer esta maravilhosa experiência de encontro, perdão, reconciliação. O alimento que pode transformar nossa sociedade em lugar de vida abundante é o pão da vida que nos conduz a Deus e nos obriga a encontrar nossos irmãos que, lá fora, esperam de nós os cestos cheios que sobraram do milagre da vida de Jesus.
* O autor é bispo de Toledo
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