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Ezequias: um político de exceção

| 12/12/2015 - 00:01

Tarcísio Vanderlinde
Há alguns meses fui conduzido pelo escritor Wolfgang Bühne em uma “visita”à Jerusalém nos dias do rei Ezequias. Ezequias reinou em Judá de 715 a 687 a.C. Em sua época, Samaria (Reino do Norte), já havia sido destruída por inimigos. Judá estava enfraquecida, e a Assíria representava o poder dominantena região.
Temendo invasões dos assírios, o que efetivamente iria ocorrer sob o reinado de Senaqueribe, Ezequias fortaleceu as muralhas de Jerusalém e executou uma obra que ainda pode ser observada hojepelos visitantes: o túnel de Ezequias. A obra garantiu fornecimento de água permanente a Jerusalém quando a cidade se encontrava sob cerco dos assírios eainda leva água para Jerusalém nos dias atuais.O túnel foi construído para captar água da fonte de Gion no Vale do Cedron, próximo ao Monte das Oliveiras.
Os esforços de Ezequias para proteger Jerusalém e prepará-la contra cercos prolongados foram comprovados em inúmeras descobertas arqueológicas. Ao lado disso,tratou de purificar o Templo e restituiu celebrações religiosas há tempo abandonadas. Seu período foi marcado por um grande avivamento espiritual.Ao clamar a Deus pela cura de uma doença que o colocou em situação terminal, obteve mais 15 anos de vida. Além disso, livrou-se miraculosamente do poderoso exército de Senaqueribe, o rei assírio que havia sitiado Jerusalém.
Ezequias legou um testemunho de vida muito importante a ser lembrado por estes dias. A arrogância, o cinismo, atributos que normalmente cercam os poderosos é substituída em Ezequias por um homem que chora, falha, se humilha e confia em Deus. Sua morte acabou deixando um vácuo na população sobre a qual reinava. Em uma das crônicas que descreve seu funeral se observa: “Descansou Ezequias com seus pais, e o sepultaram na subida para os sepulcros dos filhos de Davi; e todo o Judá e os habitantes de Jerusalém lhe prestaram honras na sua morte”.
As narrativas revelam em Ezequias um político de exceção, íntegro, incorruptível, ruptura de um padrão estabelecido há décadas.Políticos de exceção costumam ser requeridos em todas as épocas. Nem sempre estão disponíveis. Ao final da Idade Média, Martinho Lutero costumava chamar os políticos honestos de “aves raras”. Vive-se atualmente com carência de políticos de exceção no país. Não é nada motivador imaginar o que a arqueologia revelaráàs futuras gerações sobre a conduta depolíticos brasileiros das regras gerais.
Ezequias foi contemporâneo do profeta Isaías, que também havia convivido com seu pai e seu avô. Sua conduta pode ser conferida em três livros do Antigo Testamento: 2Reis, 2Crônicas e Isaías. Por outro lado, a experiência de vida de Ezequias confirma a tese de que podemos aprender muito com nossos próprios erros. Umaprendizado que pode se tornar mais intenso ao nos aproximarmos de Canaã, e constatar que já não nos resta muito tempo de caminhada até a chegada (Fonte: BÜHME, Wolfgang. Ezequias: o homem que confiava em Deus. Porto Alegre: Actual, 2014, 168 p.).
O autor é docente da Unioeste tarcisiovanderlinde@gmail.com
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