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A fidelidade do Senhor é para sempre

| 13/12/2015 - 00:01

Dom João Carlos Seneme,css*
Domingo da Alegria. O Senhor está próximo: “Solta gritos de alegria, filha de Sião! Solta gritos de júbilo, ó Israel! Alegra-te e rejubila-te de todo o teu coração, filha de Jerusalém”! “Alegrai-vos sempre no Senhor. Repito: alegrai-vos”!
Por mais que os acontecimentos ao nosso redor e no mundo todo sejam tão contraditórios, a Palavra de Deus nos revela que estamos no centro do coração de Deus. O Senhor ama a obra de sua criação e não a abandona jamais. Ele é fiel para sempre! Por isso, a alegria do Senhor deve nos contagiar e se tornar permanente e duradoura. Ela não pode ser momentânea e nem mesmo superficial e individual. É uma alegria que vem de Deus e que nos envolve em seu mistério de amor e prova, através dos acontecimentos, que a chegada do Salvador está próxima e vem para iluminar todos os cantos obscuros de nossa vida. Em todos os acontecimentos de nossas vidas estará presente a luz inextinguível do amor de Deus.
A alegria que Deus espera de nós não é resultado de nossos esforços e da superação de nossas dificuldades. É a alegria de saber que Deus está próximo, mesmo com nossas limitações; é a paz de quem sabe que nosso Deus partilha nossas dores e preocupações; é a alegria de quem compreende que a força de sua esperança vem de Deus e não de seus esforços. Deus nos ama não por aquilo que fazemos, mas porque faz parte de sua essência de ser Deus. Da nossa parte é necessário acolher este amor com humildade e deixar que este milagre provoque em nós mudanças radicais. A alegria do cristão é aceitar que Deus é maior do que nossas necessidades.
Na “Alegria do Evangelho”, o Papa Francisco nos exorta: “Há cristãos que parecem ter escolhido viver uma Quaresma sem Páscoa. Reconheço, porém, que a alegria não se vive da mesma maneira em todas as etapas e circunstâncias da vida, por vezes muito duras. Adapta-se e transforma-se, mas sempre permanece pelo menos como um farol que nasce da certeza pessoal de, não obstante o contrário, sermos infinitamente amados. Compreendo as pessoas que se vergam à tristeza por causa das graves dificuldades que têm de suportar, mas aos poucos é preciso permitir que a alegria da fé comece a despertar, como uma secreta mas firme confiança, mesmo no meio das piores angústias: A misericórdia do Senhor não acaba, não se esgota a sua compaixão. Cada manhã ela se renova; é grande a tua fidelidade. (...) Bom é esperar em silêncio a salvação do Senhor’” (Lm 3, 17.21-23.26). "E nós, o que devemos fazer"?
A pregação de Joao Batista no Evangelho, às margens do Rio Jordão, convida seus ouvintes à conversão, transformar seu estilo de vida e comportamentos. Então, surge a pergunta feita a João Batista: “E nós, que devemos fazer”? Cada um de nós deve se colocar em atitude reflexiva e fazer esta pergunta a si mesmo.
Dar frutos de alegria indica atitudes de paciência e acolhimento, capacidade de ser amável e tolerante, acolher as diferenças como riqueza. Não se deixar envolver pela raiva, ofensas. Chegar à conclusão que não se pode ser feliz sozinho e nem mesmo adotar a defesa do “porco-espinho” que se defende agredindo. O inimigo da alegria não é o sofrimento; é o egoísmo, o voltar-se para si mesmo, a ambição. Através de cada um de nós e de nossas atitudes, o mundo poderá conhecer o amor Deus. É a nossa missão de continuadores da obra de Jesus Cristo. Construir pontes que facilitam a construção da paz e justiça tão desejadas. O Ano Santo da Misericórdia será uma oportunidade única de experimentar a misericórdia de nosso Deus e oferecê-la na mesma dimensão uns aos outros.
O autor é bispo de Toledo
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