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Acordo de Paris fez história e direciona caminho a ser trilhado

| 17/12/2015 - 00:01

André Ferretti*
Em meio a tantas incertezas, crises políticas e terrorismo, o mundo pode festejar um acordo histórico. A aprovação do Acordo de Paris é um grande marco que ficará na história deste século, pois direciona o mundo a mudanças importantes para evitar que o aquecimento global chegue à marca dos 2º Celsius até o final do século
O texto final, que foi assinado no último sábado (12), prevê manter esse aumento da temperatura média bem abaixo dos 2ºC e imprimir esforços para limitá-lo em 1,5ºC acima dos níveis pré-industriais. Vale lembrar que já estamos com elevação de 0,8ºC, por isso, o empenho para atingir a meta será grande e difícil.
Outro objetivo previsto no texto final foi que cada país busque promover um fluxo financeiro consistente com economias de baixo carbono que também sejam resilientes (adaptáveis) às mudanças do clima. Dessa forma, a partir de agora, os combustíveis fósseis estão com os dias contados, pois são incompatíveis com um futuro seguro. Isso acontece porque eles são os principais responsáveis pelas emissões de Gases de Efeito Estufa (GEEs), vilões do aquecimento global.
Uma das maiores discussões das últimas duas semanas foi a questão do financiamento das ações de mitigação (reduzir o impacto) e adaptação às mudanças climáticas. Ficou definido que os países desenvolvidos deverão fornecer recursos financeiros que ajudem as nações em desenvolvimento com a adaptação e mitigação. Esses países ricos devem liderar a mobilização desses recursos que, até 2025, deverão ser da ordem de US$ 100 bilhões ao ano. Já as nações emergentes serão encorajadas a fornecer voluntariamente fundos para essas ações.
Após a definição, agora vem a parte da implementação das contribuições previstas por cada país. Certamente, o Brasil precisará fazer mais do que havia proposto na sua INDC (Contribuições Nacionalmente Determinadas Pretendidas), antes da COP. O país terá que aumentar sua ambição, que foi diminuir as emissões em 43% até 2030, reduzindo o desmatamento (que aumentou 16% na Amazônia em 2015), descarbonizando seus processos industriais (por exemplo, utilizando matérias-primas que não sejam provenientes de combustíveis fósseis) e, principalmente, focando sua matriz energética em fontes renováveis como o etanol de segunda geração, aquele que é produzido a partir do bagaço da cana.
A pedra fundamental foi estabelecida. Agora, precisamos estar atentos em como isso se traduzirá em ações práticas em cada país. Esse é apenas o início de um longo percurso que será difícil, mas que, sem dúvida, temos toda condição de trilhar. A implantação do Acordo de Paris, com absoluta certeza, mudará o mundo.
*O autor é gerente de estratégias de conservação da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.
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