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Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua vontade

| 20/12/2015 - 00:01

Dom João Carlos Seneme, css*
Durante o Advento somos guiados por meio de grandes personagens bíblicos: Isaías, João Batista e Maria; o profeta, o precursor e a mãe. Neste 4º Domingo do Tempo do Advento (20/12) quem nos conduz é Maria; ela nos ajuda a intensificar e concentrar nossa espera. Até agora seguimos o Salvador de longe. Hoje a salvação se torna próxima e concreta porque o Salvador se encontra no seio de Maria. Nossa atitude de espera é orientada por uma mãe grávida que acompanha a mudança do seu corpo e tudo é condicionado para a chegada do bebê. É assim que devemos imaginar Nossa Senhora na iminência do Natal: com aquele olhar amável, dirigido mais para dentro do que para fora de si, que se nota numa mulher que carrega no seio uma criatura e parece que já a contempla e com ela dialoga. Maria carrega o evangelho dentro de si e vai sendo evangelizada pelo Filho. A manifestação deste encontro e que sai da boca de Maria é o reconhecimento das maravilhas que Deus fez com ela: o canto do Magnificat é o evangelho em miniatura.
O chamado de Maria seu sim revelam o carinho de Deus com a humanidade que exalta os pobres e manda embora os que já estão satisfeitos com o que têm, que não esperam nada de Deus. Em Maria, Deus manifesta que quer a participação da humanidade no seu projeto de salvação. A presença de Jesus contando com a fragilidade de Maria é um sinal do amor de Deus. Ele é fiel e se preocupa em trazer a libertação a todos, particularmente os que são vítimas da prepotência e da injustiça. Com Jesus, chegou esse tempo novo de libertação, de paz e de felicidade anunciado pelos profetas.
Maria não fica orgulhosa e nem mesmo se colocou no centro das atenções. Seu primeiro gesto é ir ao encontro de Isabel, prima que precisa dela e que também participa da alegria da salvação de Deus que será realizada em Jesus. A presença de Jesus provoca a alegria: “Quando Isabel ouviu a saudação de Maria,a criança pulou no seu ventree Isabel ficou cheia do Espírito Santo”. O estremecimento e o grito de felicidade de Isabel referem-se a todos aqueles que esperam a concretização das promessas de Deus e que veem na chegada de Jesus a realização das promessas de um mundo de justiça, de amor, de paz e de felicidade para todos.
O que podemos aprender da liturgia deste 4º Domingo do Advento? As várias reações de Maria diante da grandiosidade do projeto de Deus chamam a nossa atenção. “Eis aqui a serva do Senhor” é sua resposta diante do mistério de Deus. Ela aceita participar do projeto salvador de Deus e oferece o que tem de mais precioso: sua vida, liberdade. Em seguida, sua prontidão em servir a faz livre porque não pensa em si, mas coloca o ouvido atento a quem necessita. São ações que questionam a vida egoísta e cômoda que muitas vezes levamos. Deus nos chama a todo instante para revelar sua vontade, para nos mostrar alguém que precisa de nós, para rezar, para ajudar alguém. Devemos estar sempre atentos e habituados a ouvir Deus pronunciando meu nome e pedir a coragem suficiente para dizer: “Eis-me aqui”.
Que o nascimento de Jesus anime e fortaleça nossa fé e robusteça nossa vontade em acreditar que é possível um mundo mais fraterno e solidário. Deus acredita em nós, por isso nasce de novo e sempre e sempre. Feliz Natal a todos!
O autor é bispo de Toledo
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