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Adversidade e convívio pacífico

| 17/05/2016 - 00:01

Tarcísio Vanderlinde1

O viajante que passa pela província argentina de Chubut, vai distraidamente aprendendo as razões que fizeram com que uma centena e meia de imigrantes galeses aportassem em Punta Cuevas, lugar visitado por veranistas patagônicos que se arriscam nas águas frias da praia de Puerto Madryn.
A presença dos galeses na Patagônia completou 150 anos em 2015. A celebração contou com a presença tensa de autoridades britânicas num ambiente em que ainda guarda uma ferida aberta decorrente da Guerra das Malvinas.
Os descendentes dos galeses estiveram ao lado dos argentinos durante a guerra, e se envolveram diretamente no conflito contra a Inglaterra, lugar de onde seus ancestrais chegaram há um século e meio.
Aprendi numa crônica escrita pelo cineasta Frederico Füllgraf, que o sentido de uma viagem acaba sendo o próprio caminho, e na experiência de contemplar apenas coisas belas, o caminhante se depara com aquilo que se pode chamar de matéria-prima da história: a tragédia.
Não foi só a restrição ao uso da língua que fez com que grupos de trabalhadores galeses se dirigissem a diversos destinos no mundo, incluindo à Patagônia. No fervor da revolução industrial, vitimados pelo trabalho insalubre nas minas de carvão, e agravado pela perseguição religiosa, os galeses se encorajaram em buscar novos lugares para recomeçar suas vidas.
Nas palavras de Füllgraf, “ao invés da rebelião violenta, os galeses deram as costas à exploração brutal, à perseguição religiosa e à mutilação cultural, como a proibição da sua língua, o Gaélico celta, dos mais antigos do mundo. Optando pelo exílio, aportaram na Patagônia em 1865, em busca da terra prometida”.
Mas a história não havia terminado. Mal haviam chegado, tiveram que testemunhar a nefasta “Campanha do Deserto” contra os indígenas tehuelches promovida pelo exército argentino sob o comando do general Júlio Roca “el carrasco da Patagônia”.
O genocídio, motivado por expressões tais como: “uma orelha de índio por uma légua de terra”, motivou entre galeses e tehuelches uma inédita e bem sucedida experiência de convívio pacífico e afetivo entre etnias com costumes tão díspares, onde índios salvaram a vida dos galeses e, inversamente galeses protegeram os índios das matanças.
Na chegada dos galeses no rigoroso inverno patagônico, os tehuelches indicaram um lugar para se construir um refúgio às margens do rio Chubut. O rio é uma espécie de “jordão da patagônia”, pela importância vital da água em ambiente desértico. Assim surgiu Gaiman, uma cidadezinha em meio às estepes, hoje com cerca de dez mil habitantes.
Na luta pela vida, os tehuelches ensinaram os galeses a caçar o guanaco e o ñandu (semelhante a ema) com a boleadeira. Mas, a história dos galeses na Patagônia é muito mais rica do que estes pobres recortes que fiz.
Quando de retorno daquela paisagem aparentemente inóspita, se decidiu unanimemente no grupo de viajantes, fazer uma incursão a Gaiman para tomar chá e apreciar a torta negra galesa. Naquele momento, não se fazia ideia das histórias de vida relacionadas a construção daquele inusitado lugar. Vai se aprendendo aos poucos.
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