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Ensino de qualidade para driblar os presídios

| 20/05/2016 - 00:01

Deusdith Laval Malucelli*
“Ensino de qualidade” é um pedido constantemente repetido quando se fala das demandas da sociedade. Mas, para atingir esse objetivo, é preciso colocar em prática algumas estratégias, das quais apresento algumas neste artigo.
A primeira medida seria a aplicação do Teste Laval de Aptidão ao Magistério no último ano do ensino fundamental. O teste foi devidamente aprovado por unanimidade pelos professores e diretores de escolas normais do estado do Paraná, sob a coordenação do professor Lauro Esmanhoto, diretor do Departamento de Educação da Universidade Federal do Paraná, e de Tânia Speny Ribas, presidente da Comissão Central da Secretaria de Educação e Cultura, durante o II Simpósio de Ensino do Paraná, realizado em 22 de dezembro de 1973. O objetivo é a conscientização dos mestres sobre as realidades da arte de educar, peculiaridades vocacionais, condições físicas, liderança e criatividade.
Também é necessário priorizar os investimentos na educação infantil através de uma multiplicidade de recursos, como parques de diversão e canchas de areia. As brincadeiras ajudam no processo da aprendizagem; jogando, a criança aprende a orientar seu pensamento para o futuro – basta ver como Pelé, de “bom de bola”, transformou-se no “sr. Pelé”. As atividades como cultivo de jardins, hortas, culinária, folclore, artes plásticas, ginástica rítmica e danças devem ser adequadas à idade das crianças. O ambiente escolar deve ser envolvido com muita festa e alegria, tornando-o atraente.
A partir da 7.ª série do ensino fundamental, talentos da terceira idade poderiam ser convidados a executar diferentes instrumentos musicais e realizar apresentações de diversas obras de arte. Esse tipo de atividade foi abordado em nosso artigo “Importância da velhice na sociedade”, publicado na Gazeta do Povo e pelo qual a Câmara Municipal nos concedeu o título de Honra ao Mérito, por considerá-lo de grande valor social e educacional.
Através de um Gabinete de Higiene Mental, composto por uma equipe multidisciplinar – assistente social, psicólogo, pedagogo, médico, dentista –, é possível lidar com uma série de situações. No momento da matrícula, os pais devem ser perguntados sobre suas habilidades. “Ninguém é tão pobre que não saiba algo. Ninguém é tão rico que saiba tudo”, diz a sabedoria popular. Após esse levantamento, propõe-se a troca de habilidades entre os pais. A aceitação é geral, visto que vai ao encontro da valorização pessoal. Da preocupação com os pais surgem os mestres com a produção de atividades, gradativamente multiplicadas. Certa ocasião, ouvi uma frase que me emocionou: “Obrigada, professora! Só esta semana já tive lucro pelas atividades que aprendi!”
Em outro episódio, durante a supervisão no Centro Educacional Guaíra, vibrei de entusiasmo ao observar carteiras transformadas em longas mesas, abrigando telas com belas pinturas. Era realmente um trabalho fascinante de dezenas de escolas da Região Metropolitana de Curitiba, em que as diretoras de escolas do ensino fundamental eram nossas alunas na pós-graduação para diretores na área de Higiene Mental/Psiquiatria, no Instituto de Educação do Paraná (o investimento em pós-graduação para diretores de escolas, diga-se, eleva o nível não só dos diretores, como da sociedade em geral). Em face da multiplicidade de objetos artísticos realizados, sugerimos a organização semestral de quermesses, cujo resultado seria dividido: 50% em benefício da escola e 50% para os pais. É evidente que tais trabalhos produziam gradativamente o despertar de potencialidades e estímulos para sucessivos crescimentos. Concomitantemente, pais e professores se transformam em amigos. Os problemas dos alunos passaram a ser esclarecidos pessoalmente, dispensando os antipáticos bilhetinhos.
A equipe de Higiene Mental, em diálogos com os pais, também atua na solução de problemas ao colher as dificuldades dos alunos. Após analisá-los, organiza palestras, convidando os pais e vizinhos. Não há indicação de nomes. Os problemas são tornados impessoais, para evitar constrangimentos. Em determinados casos, a equipe desenvolve tarefas interligadas às dificuldades na sala de aula: aluno faltoso, aluno nervoso, instabilidade no aproveitamento... o assistente social, após realizar visitas às famílias, reflete com a equipe o que fazer. Na nossa experiência, recolhemos alguns exemplos, como o do aluno faltoso que era obrigado a se ausentar da escola para consolar a mãe pela carência afetiva após a perda do marido; ou do aluno traumatizado, seduzido por adultos, juntamente com outras crianças, em troca de guloseimas. Essas crianças já estavam sendo medicadas com calmantes, conduzidas ao vício. Após os trabalhos das equipes multidisciplinares, com orientações adequadas, tais problemas foram resolvidos, concretizando a importância dos Gabinetes de Higiene Mental.
A orientação vocacional seria a culminância deste roteiro. Objetivando maior conhecimento sobre possibilidades de empregos, em vista da nossa realidade brasileira, sem bloqueios ao ensino superior, é plenamente justificável iniciar as visitas dos alunos a escolas técnicas já a partir da 7.ª série do ensino fundamental, um momento que possibilita entrevistas esclarecedoras sobre temas como mercado de trabalho, qualidades profissionais, possibilidades para graduação, especialização, mestrado e doutorado.
A autora é licenciada em Pedagogia pela UFPR e concursada em Psicologia no estado do Paraná.
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