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Senhor, não te incomodes, pois não sou digno de que entres em minha casa

| 28/05/2016 - 00:01

Dom João Carlos Seneme, css*
Neste domingo, retomamos o Tempo Comum do Ano litúrgico, 9º Domingo. Vivemos intensamente o Tempo Pascal que renovou em nós o mistério de nossa fé, paixão, morte e ressurreição de Jesus, permeando este tempo com celebrações importantes: Ascensão de Jesus, vinda do Espírito Santo no dia de Pentecostes, Santíssima Trindade, Corpo de Deus. O Ano Jubilar da Misericórdia dá um tom especial porque nos convida a experimentar a misericórdia de Deus. O Evangelho de São Lucas acentua palavras e ações misericordiosas de Jesus revelando, portanto, o rosto do Pai.
O Evangelho deste domingo coloca Jesus em Cafarnaum vivendo no meio dos pescadores. Dali ele inicia sua missão: revelar o amor do Pai e conduzir o seu povo à salvação. Seu modo de agir e falar chama a atenção não somente dos seus conterrâneos, os judeus, mas também de estrangeiros que ali viviam. Acompanhamos o pedido de um oficial romano que intercede em favor de um empregado muito estimado por ele. O texto revela que o oficial era um homem bom, que até colaborou na construção de uma sinagoga. Este encontro marcou a vida deste homem e da comunidade a tal ponto que a frase que ele diz: “Senhor, não te incomodes tanto assim, porque não sou digno de que entres em minha casa”, nós a repetimos toda vez que nos aproximamos da Eucaristia.
A fé deste homem é marcante; ele confia em Jesus e tem certeza que ele pode curar o seu empregado. Jesus elogia sua profissão de fé e o evangelista São Lucas relata este fato para mostrar que a fé não conhece fronteiras nem raças. Muitas vezes encontramos maiores manifestações de fé entre pessoas que não são do nosso meio. O encontro com Jesus deveria mudar nosso modo de agir, principalmente no contato com nossos irmãos e irmãs. Não podemos separar a fé de nossa vida cotidiana. Fé e vida se misturam, de modo que onde eu estou devo testemunhar a minha fé, como faz este estrangeiro no evangelho. Ele não tem vergonha de ir ao encontro de Jesus e interceder pelo seu empregado, mesmo sendo um estrangeiro.
A lição que aprendemos hoje do Evangelho é que devemos crer de maneira simples e corajosa, ousar, pedir “sem duvidar”, confiar que Deus pode tudo. Muitas vezes, nossa fé é extremamente intelectual e racional: cremos em Deus, mas não cremos no seu poder de curar, de fazer milagres e nem colocamos a nossa vida em suas mãos.
Ao participar da Eucaristia e repetir as palavras do centurião “Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma palavra e serei salvo”, vamos nos revestir da mesma humildade do centurião e nos aproximar do Jesus que oferece o seu corpo e sangue para nossa vida.
* O autor é bispo de Toledo
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