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O sofrimento como fim

| 31/05/2016 - 00:01

Jose Antonio Mariano
Um paciente me pergunta: até que ponto a depressão é uma doença e até que ponto é a resposta de uma mente saudável a um mundo doente povoado por crianças famintas e dores mil em geral?
Talvez, de fato, o que é considerado “normal” tenha sido encapsulado por situações anômalas, discrepantes, dissonantes. Mas também é preciso destacar essa capacidade resiliente que acomete algumas pessoas e que - longe de ser conformista - as faz renascer todos os dias e enfrentar os quadros mais tenebrosos do seu microcosmo.
Há que se preocupar com crianças que passam fome, pessoas insuficientemente providas em suas necessidades mais básicas? Claro, mas isso não pode te engessar sob pena de você, de modo bastante inconsciente, passar a fazer parte desse quadro mal pintado, numa tentativa de se apropriar da dor do outro, negando sua existência a partir de um sofrimento que, no macro, você não pode mudar.
Na verdade, isso só será possível se o seu universo próximo puder contar com sua disposição, ânimo, talento, força e capacidades modificantes. Você não vai achar todos os dias lindos e isso é sinal de sanidade. Vai ficar desapontado em relação ao fruto do seu trabalho, mas desistir dele não será nada saudável. Vai se condoer com as crianças, mas poderá, se puder e achar suficiente, ajudar até onde puder as crianças carentes próximas a você. Sabe a história da estrela-do-mar na praia? Pois é...
Para finalizar, todas as psicopatologias - depressão, ansiedade, pânico, fobia social, delírios paranoides, esquizofrenia, adicções - possuem um fundo biológico, um gap na transmissão dos neurotransmissores com insuficiência na liberação de substâncias como dopamina, serotonina. Portanto, em vários casos, a depressão, como entidade biológica, precisa do aporte de medicamentos. Eles farão sua parte e a outra parte, a terapia dá conta. E vamos levantar pela manhã cientes de que sofremos sim, mas isso não precisa ser constante, atuante e paralisante.
Jose Antonio Mariano, psicanalista
psimariano@gmail.com
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