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Um crime para reflexão

| 16/06/2016 - 00:01

Glenio Madruga II*
Houve um crime. Normal, como há crimes todos os dias. A moça (podemos chamá-la de Ana, por enquanto) foi encontrada boiando de bruços, bem perto do cais do porto de Paranaguá, no dia 1º de setembro. Acontece que Ana havia desaparecido há cerca de uma semana.
Ana era uma moça jovem, cerca de dezenove anos, acordava cedo todos os dias e seguia para o seu trabalho, vendendo pães. Fechava o caixa no final do expediente e prestava contas ao dono da padaria. Tratava-se de uma pessoa comum. Era também conhecida pela vizinhança, andava nos comércios da cidade e falava com todo mundo, até que foi dada queixa às autoridades locais sobre seu desaparecimento. Durante o processo de investigação diversas vozes foram ouvidas, algumas coerentes, outras conflitantes. Uma testemunha afirmou que viu alguém carregando um grande pacote pela rua, tarde da noite de 31 de agosto. Ana tinha dívidas na praça, até parece que cometeu um pequeno delito – o furto de um par de chinelos – mas prometeu pagar a quantia ao dono do mercadinho. Seria isso, o furto de um par de chinelos, motivo para homicídio? Seria o caso de algum crime passional? Suicídio, talvez?
Ana foi encontrada boiando de bruços, perto do cais. Em volta de seu pescoço havia ainda uma corda de algodão e uma toalha. Uma semana desaparecida e morreu assim, devidamente “suicidada”. As autoridades paranaenses fecharam o caso tendo a certeza de que Ana foi morta em algum outro lugar, com evidências forenses de estrangulamento e espancamento. Ninguém foi condenado. Dez anos depois, após um volumoso disse-me-disse, o caso foi reaberto. Novas testemunhas chamadas, novas investigações efetuadas. Exumaram o corpo de Ana para reanálise – como se algo pudesse de fato ser revisto depois de dez anos numa cova rasa. Dados novos surgiram até dos legistas, que informaram coisas omitidas há uma década. Algum culpado? Algum condenado? Não. E o caso foi fechado novamente.
Um crime que parece comum, como muitos outros. Um crime bárbaro que continua a nos incomodar tanto tempo depois.
Ana foi encontrada boiando de bruços, perto do cais, em 1875.
Ana era escrava.
Isso faz diferença?
*O autor é graduando em História/Bacharelado pela Universidade do Estado de Santa Catarina
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