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Com Jesus a caminho de Jerusalém

| 25/06/2016 - 00:01

Dom João Carlos Seneme, css*
A liturgia deste domingo nos oferece leituras bíblicas que fazem pensar: a vocação de Eliseu, a discussão sobre liberdade e escravidão, liberdade e amor aos irmãos nas primeiras comunidades e, no evangelho, a reação violenta dos discípulos em relação aos samaritanos e, finalmente, as condições para seguir Jesus.
“Jesus tomou a firme decisão de partir para Jerusalém”. Esta grande viagem relatada pelo evangelista Lucas quer revelar que o caminho de Jesus não será fácil: em Jerusalém Ele será crucificado, morrerá na cruz e ressuscitará. Por isso, é necessária uma decisão firme e corajosa. Os discípulos não compreendem tudo isso; não conseguem imaginar a verdadeira missão de Jesus.
No início da viagem aparece o primeiro obstáculo: samaritanos e judeus se odeiam e hostilizam Jesus e seus discípulos. A reação dos discípulos é violenta: “Senhor, queres que mandemos descer fogo do céu, para que os destrua”? A primeira lição: os discípulos de Jesus não podem ser homens violentos que buscam o poder para dominar. Participar da vida de Jesus é estar no mundo com Ele e a partir d’Ele. Raposas e pássaros têm tocam e ninhos, Jesus não tem nada para oferecer, a não ser a sua vida e o Reino de Deus. Por isso, os seguidores de Jesus devem estar em contínuo processo de conversão que ajudará a fazer escolhas radicais.
O tema central da palavra de Deus deste domingo é a vocação, o chamado. Não se trata de vocação específica do padre, da religiosa, mas da vocação fundamental para todos os batizados: participar da vida e da missão de Cristo que veio para reconduzir a humanidade a Deus através de sua morte e ressurreição. Viver a vida cristã como vocação significa vivê-la como resposta a um apelo. Todos somos chamados para seguir Cristo: ficar com ele, partilhar da sua vida, das dificuldades, mas também a alegria de ser filho de Deus. O chamado se dá, preferencialmente, no contexto da comunidade: somos convidados a entrar na Igreja, que é o corpo de Cristo, lugar da convocação. Estar na Igreja não é, portanto, um acaso, fruto de circunstâncias fortuitas; é resposta ao chamado de Deus que se concretiza no batismo. Deus nos convoca a participar de sua vida com nossos limites e pecados. Ele coloca diante de nós o caminho da santidade que será sustentado pelo Espírito Santo que habita em nós.
Aí está a proposta de Deus, da nossa parte cabe responder como Maria ao ser chamada para ser a mãe do Salvador: “Eis-me aqui”! Neste convite está a nossa realização como ser humano porque o chamado de Jesus não é como os outros; é o chamado à salvação, à vida, a realizar o verdadeiro sentido de nossa existência. Responder “não” significa recusar o encontro com a felicidade. Será um caminho de muito esforço e perseverança; ele exigirá sacrifício, despojamento total do próprio egoísmo e aprender a olhar o mundo com os olhos de Jesus. Colocar-se nas mãos de Deus como uma criança se joga nos braços da mãe é um caminho seguro e confiável. “Pouquíssimos são os que compreendem o quanto Deus neles realizaria, se Ele não encontrasse obstáculo a seus desígnios” (São Gaspar Bertoni, fundador dos Estigmatinos).
O autor é bispo de Toledo
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