Artigos

Viajantes do deserto no Atacama

| 28/06/2016 - 00:01

Tarcísio Vanderlinde*
São várias as motivações que levam uma pessoa para o deserto. Nos textos bíblicos são encontradas inúmeras referências ao deserto, sejam elas literais ou metafóricas. Eremitas se retiravam para regiões desérticas do Oriente Médio para levar uma vida contemplativa nos primeiros séculos do cristianismo.
O aspecto místico que acompanha o ato de se retirar para o deserto ainda não foi totalmente engolido pela modernidade, apesar das competições que testam limites de máquinas e de homens em travessias barulhentas por estes ambientes.
Alguns cronistas que passaram pela experiência de visitar ou permanecer por algum tempo no deserto, concluíram que visitantes destes lugares descobrem em si mesmos uma calma primordial, que talvez seja o mesmo que a paz de Deus. Na experiência, parece haver um vislumbre de eternidade ao se defrontar com a paisagem desértica.
Até pela proximidade, e pelo possibilidade de acesso por terra, são muitos os brasileiros que buscam o Deserto do Atacama para matar a curiosidade e poder desfrutar de um ambiente único na superfície da Terra.
Localizado ao norte do Chile, estudiosos costumam dizer que o Atacama é o deserto mais seco do planeta. Contudo, o visitante pode às vezes ser surpreendido por chuvas torrenciais e nevascas em pleno janeiro. Vestígios deixados por torrentes não são difíceis de identificar ao caminhar pelo deserto.
Para os astrofísicos, o Atacama é considerado o melhor lugar do mundo para se fazer observações astronômicas. Em 2013 foi inaugurado no Atacama o maior projeto astronômico do mundo. Sintomaticamente o ideia foi batizada de ALMA, sigla que significa “Atacama Large Millimeter Array”.
As condições que tornam Atacama o deserto mais seco do mundo se revelam pela sua localização geográfica. De um lado a Cordilheira dos Andes a impedir a entrada de ar úmido da região amazônica. Do outro, a circulação restrita do ar úmido proveniente do Oceano Pacífico que é dificultada pela baixa temperatura da água e a altitude do deserto em relação ao nível do mar.
Embora a região apresente condições naturais severas, existe atividade econômica e muita vida no local. A flora é basicamente composta por árvores de pequeno porte e arbustos que conseguiram adaptar-se à aridez e à falta de água. Em altitudes acima de quatro mil metros a puna amarelada pode surpreender o visitante pela beleza ao associar-se ao conjunto da paisagem.
Também não é raro o viajante se deparar com animais adaptados àquele clima, como é o caso de vicunhas, guanacos, lhamas, raposas e os graciosos flamingos permanentemente escarafunchando micronutrientes nos diversos lagos e salares andinos.
São Pedro do Atacama é um pueblo aconchegante de não mais de dois mil habitantes, que recebe em meio ao deserto viajantes de todo o planeta. É a base para diversas incursões pelo deserto.
Nos arredores da cidade refúgio, o visitante pode de pronto caminhar pelo Vale de La Luna e apreciar o pôr do sol tendo a Cordilheira dos Andes como cenário.
Saindo de madrugada de São Pedro do Atacama em ônibus local, pode-se chegar ao campo de geisers de El Tatio no extremo norte do Chile, no amanhecer. Ali, o alvorecer pode se transformar numa das experiências mais impactantes que podem ser vivenciadas pelo visitante do Deserto do Atacama.
O autor é professor na Unioeste - tarcisiovanderlinde@gmail.com
    SEJA o primeiro a comentar
  • Nome

    E-mail

    Escreva um comentário

Notícias de 'Artigos'

Eu creio, Senhor, mas aumentai a minha fé

Eles entraram no sepulcro, viram e acreditaram: Cristo Ressuscitou

Família e escola: uma parceria fundamental

Quo Vadis UnB

Jesus morreu na cruz para nos dar vida em plenitude

Profissão professor

Mais pobreza

A VIA PARLAMENTARISTA

A dignidade restituída e a esperança renovada

Os robôs estão chegando!

Mais Destaques
"Já foram 19 milhões que acessaram o site do Jornal Gazeta de Toledo- ISENÇÃO E VERDADE!"
(Eliseu Langner de Lima - diretor)
Enquete
Tempo Toledo
Cotações
Compra Venda
Dólar comer.
Euro (real)