Editorial

A crise, os desequilíbrios e a intolerância positiva

| 09/09/2016 - 00:01

A palestra do ex-ministro Ciro Gomes no Conexão Empresarial em Toledo na noite de quinta-feira, no Teatro Municipal, apontou para uma situação que o Brasil vem vivendo ao longo dos anos e que se revela cada vez mais inviável de ser mantida. Trata-se das taxas de juros com que temos remunerado nosso sistema financeiro e que tornam-se um verdadeiro escândalo ao manter-se em 14,25% ao longo de sucessivos meses enquanto vivemos uma das mais profundas recessões da história, com todas as suas consequências para o setor produtivo, os trabalhadores e a sociedade como um todo. É bem verdade que o Brasil acostumou-se a manter um sistema financeiro voltado para atender os rentistas e não a atividade produtiva, mas também é verdade que temos no país uma das mais disseminadas culturas empreendedoras do mundo e tal potencial não pode ser desperdiçado da forma que o fazemos. Sim porque os novos empreendimentos não têm as devidas oportunidades de consolidação e expansão pela simples ausência de um sistema financeiro efetivo, que banque a atividade produtiva através da ofertas de recursos de capital de giro e investimento a custos compatíveis.
Na verdade o que se observa é cada vez mais os governos voltados ao desperdício e à má gestão, rolando sua ineficiência com endividamento público que acaba sendo custeado por toda a sociedade. Ainda agora o Senado Federal analisa a proposta de aumento dos vencimentos do Supremo Tribunal Federal, que já superaram os da Presidência da República como teto do funcionalismo há alguns anos e agora podem originar um efetivo cascata, graças à esperta vinculação estabelecida por várias categorias em diferentes esferas e governos a esta carreira de tanta capacidade remuneratória. A verdade porém é que este órgão, a exemplo de tantos outros, não gera empregos nem riqueza e enquanto carreira de Estado precisa seguir regras ao invés de reinterpretá-las como foi feito para chegar-se ao atual quadro de ostentar o teto do funcionalismo.
Estas situações agravam o quadro criado pelos juros extorsivos do Brasil, gerando uma pesada carga para a sociedade. Para superarmos a atual crise e buscarmos um ponto de equilíbrio político-econômico precisaremos efetivamente reavaliar este quadro e chegarmos a um acordo mínimo quanto ao futuro. Isto porém passa pelo enfrentamento de tais desequilíbrios, que constituem uma carga insuportável para o Brasil e não podem ser eternamente empurrados com a barriga, até porque a tolerância histórica do brasileiro está escassa atualmente.
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Meu ponto de vista sobre o aumento do IPTU em Toledo.

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