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De tecnologia à indústria farmacêutica: os setores que estão contratando, apesar da crise

| 31/05/2017 - 20:20

De tecnologia à indústria farmacêutica: os setores que estão contratando, apesar da crise

Procurar boas notícias quando o assunto é emprego não é atualmente tarefa fácil no Brasil. A pior recessão em quase 70 anos continua gerando recordes no desemprego, que fechou o primeiro trimestre de 2017 em 13,7%, ou 14,2 milhões de pessoas, segundo dados oficiais.
Há, no entanto, setores da economia que parecem desafiar o pessimismo. Seja por terem sofrido um impacto menor da crise ou pela recuperação mais rápida, são áreas que estão contratando de maneira consistente.
Empresas de tecnologia ou prestação de serviços nessa área, por exemplo, aumentaram as contratações em 20% nos primeiros quatro meses de 2017 ante o mesmo período do ano anterior, nas contas da Page Personnel, multinacional de recrutamento e suporte à gestão.
O setor enfrenta até dificuldade para preencher vagas, segundo Ricardo Haag, diretor-executivo da Page Personnel no Brasil. “E essa diferença entre vagas e candidatos ainda é enorme.”
No final de março deste ano, havia 817 vagas de emprego abertas em 233 start-ups (empresas focadas em inovação e em modelo de negócios para crescimento rápido) nas principais cidades do país, segundo levantamento da escola de tecnologia Gama Academy.
Indústria farmacêutica
Outro ramo da economia que tem mantido o fôlego é a indústria farmacêutica, que se beneficia do fato de produzir bens de primeira necessidade e de difícil substituição.
O setor abriu 15% mais vagas e fez 13% mais contratações de janeiro a abril deste ano do que no mesmo período de 2016, segundo a Page Personnel.
“O setor, de fato, foi afetado mais lentamente pelos impactos no cenário econômico. Temos crescido na casa de dois dígitos (por ano) nos últimos anos, seguimos na liderança do mercado brasileiro e a nossa projeção é evoluir 20% em faturamento”, afirmou João Dornellas, vice-presidente de pessoas e gestão da brasileira EMS.
A farmacêutica está contratando, em média, 80 novos funcionários por mês, com foco atual na área comercial - profissionais técnicos e de gestão também estão no alvo. O centro de pesquisa e desenvolvimento, por exemplo, teve 20% da sua força de trabalho de 400 pessoas contratada em 2016.
A EMS também abriu neste ano uma fábrica em Brasília e acabou de contratar 17 trainees. “Buscamos e valorizamos profissionais empreendedores que queiram crescer conosco”, diz o vice-presidente Dornellas.
Outros setores
Números mais recentes do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego, reforçam a situação mais confortável da indústria química e farmacêutica dentro da crise.
O saldo de vagas criadas no setor entre janeiro e abril deste ano, já com ajuste sazonal, fechou positivo em 10.357 empregos.
Outros setores com resultados positivos significativos foram indústria calçadista (19.336 contratações líquidas), têxtil e vestuário (16.333) e serviços médicos e odontológicos (15.277).
O setor de serviços como um todo, maior empregador da economia brasileira, encerrou o primeiro quadrimestre com saldo positivo de 55.703 vagas, após registrar em 2016 o pior ano da história no mercado de trabalho formal, com eliminação de 390 mil postos de trabalho.
Sobre carreiras específicas, os destaques nesta fase de primeiros sinais de recuperação da economia são as áreas financeira (ramos como tesouraria, contabilidade e tributos) e comercial, afirma Ricardo Haag, da Page Personnel. A empresa de recrutamento identificou aumento de 18% nas vagas na área comercial no primeiro quadrimestre deste ano, na comparação com o mesmo período de 2016.
Em situação diferente dos ramos que demonstram certo fôlego na crise estão as indústrias pesada, de maquinário e automobilística, que demandam altos investimentos e possuem produtos de valor alto e venda mais lenta. As boas notícias nessas áreas ainda devem demorar.
Fonte: BBC Brasil
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