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Em vez de remédio contra Aids, fábrica financiada pelo Brasil produzirá analgésico

| 06/12/2017 - 21:20

Em vez de remédio contra Aids, fábrica financiada pelo Brasil produzirá analgésico

Esperava-se que fosse um motivo de orgulho. Mas ali dentro estão as esperanças, vencidas e frustradas, dos dois países. Faz 14 anos que o Brasil apoia a criação dessa fábrica, destinada a produzir antirretrovirais - como são chamados os remédios que combatem o vírus HIV. É o mais longo projeto de cooperação do governo brasileiro na África, e o mais caro, com custo estimado em R$ 40 milhões.
Mas a iniciativa acaba de passar por uma transformação radical. Em vez de antirretrovirais, a fábrica produzirá paracetamol, analgésico comumente usado contra dor de cabeça e cólica. Para isso, contará com apoio técnico da Fiocruz e com um novo repasse de R$ 5 milhões do Ministério da Saúde brasileiro, aprovado no segundo semestre deste ano.
O motivo principal da mudança é que a nevirapina, cuja tecnologia de produção o Brasil transferiu para Moçambique, ficou ultrapassada. Já foi muito importante no combate ao HIV, mas, à medida que o projeto da fábrica de antirretrovirais demorava para sair do papel, foi sendo substituída por outras drogas mais modernas e eficazes. Hoje, é raramente usada nos dois países.
Jorge Mendonça é diretor de Farmanguinhos, unidade da Fiocruz responsável pela parceria com a SMM. Ele não participou da concepção do projeto, mas faz mea culpa.
Mendonça advoga pela importância do Brasil continuar financiando a fábrica: “O que está sendo investido lá não é nenhuma fortuna, é uma pequena contribuição para terminar esse projeto”.
‘É um trabalho com muito mérito’
Hoje, o Brasil não tem tecnologia para produzir os remédios mais modernos usados no tratamento contra a Aids. Por isso, não há como transferir esse conhecimento para Moçambique.
O paracetamol foi, então, a alternativa encontrada para que a fábrica não fechasse, o que desperdiçaria todo o investimento feito até agora pelos dois países.
É um medicamento barato, mas com muita saída. A ideia, então, é que o analgésico dê sustentabilidade econômica para a SMM e permita a ela fabricar outros produtos, como anti-hipertensivos.
O técnico Govene ainda não contou a ninguém sobre a mudança, porque acha que as pessoas não vão gostar da notícia. É o que ocorreu com a médica Cassamo: “Paracetamol? Desculpa, né! Se fosse uma fábrica de antibióticos, de antifúngicos... Mas paracetamol é algo que nós temos. Acho que nunca tivemos falta de paracetamol. Não é questão de saúde pública”.
De ‘revolucionário’ a ‘dor de cabeça’
A ideia brasileira de criar uma fábrica de antirretrovirais na África surgiu, em 2003, da combinação de duas realidades. Primeiro, Moçambique era um dos países mais afetados pelo HIV no mundo - hoje, tem a oitava maior prevalência do vírus. Segundo, o Brasil tinha - e continua a ter - uma política de combate ao vírus que é considerada modelo. O projeto propunha, então, unir necessidade e experiência.
Por um lado, a proposta foi vista como uma ideia revolucionária. Por outro, foi encarada pelo Itamaraty como uma enorme dor de cabeça. Se desse errado, poderia manchar a imagem que o Brasil queria construir, de parceiro solidário da África.
Por nota, o Ministério da Saúde brasileiro informou que considera fundamental a conclusão do projeto, “que contribuirá significativamente para o fortalecimento do sistema de saúde público moçambicano”.
O órgão também justificou a troca de medicamentos: “Devido ao registro de patentes de novos medicamentos, avanços tecnológicos e, principalmente, mudanças na política de tratamento adotada pelo Ministério da Saúde de Moçambique, o portfólio de medicamentos (da fábrica) sofreu alterações. O portfólio final contemplará a transferência tecnológica e a produção de dez medicamentos, incluindo o paracetamol”.
Dessa lista de dez, além do paracetamol, três são antirretrovirais já descartados por Moçambique, três são os medicamentos que já foram produzidos na fábrica, mais um antiviral, um antianêmico e um diurético.
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