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O que dizem os búzios ?

| 21/12/2017 - 21:00

“A crise experimentada por todos deriva, não de desacertos econômicos ou políticos, mas tão somente do comportamento sem ética de muitos de nossos dirigentes, nos três Poderes. Chegamos a uma situação tão bizarra , que somos obrigados a aceitar o fato de termos um deputado dormindo a noite na cadeia, e dando expediente durante o dia na Câmara dos Deputados, recebendo além do seu salário normal, uma ajuda de custo para moradia. E olha que esse é apenas um exemplo menor.”
Todo o final de ano o ritual se repete: é feito um balanço geral das atividades, realizadas ou não, ao longo dos doze meses que passaram, para , no novo período que se anuncia, correções de rumo mais racionais sejam adotadas. Funciona assim com as pessoas, com as empresas e com o próprio Estado. Todos necessitam reavaliar metas e objetivos. No caso particular e no que diz respeito direto ao nosso país, muitas correções de rumo serão necessárias para que o Brasil e, principalmente os brasileiros reencontrem um modelo capaz de apaziguar a população em relação ao governo e mais precisamente com relação aos políticos e autoridades com assento nos mais importantes cargos do Estado.
Perdura ainda no ar uma antipatia visível que separam dirigentes de um lado e a nação de outro. Os seguidos escândalos envolvendo os mais altos escalões da República, com a condenação e prisão de alguns desses personagens, todos invariavelmente envolvidos em desvios de dinheiro público, criaram um tal ambiente de desconfiança e repúdio dos cidadãos contra as classes dirigentes, que será necessário muito trabalho de convencimento para reverter uma situação, que já chegou, inclusive, as vias de fato.
Políticos são caçados, ameaçados e xingados em aeroportos e outros lugares públicos, colocando em risco não só a integridade física desses também cidadãos, mas em níveis mais profundos, aumentando os riscos de um retrocesso no processo democrático, ainda em fase de consolidação. Fôssemos consultar os búzios para saber o que o futuro reserva para o país, em ano eleitoral, não seria difícil adivinhar a resposta: dias de incerteza e até de tumulto se aproximam, não sendo, de todo, surpreendente que aconteçam escaramuças aqui e ali por conta de descontentamentos, traições e ilusões resultantes do comportamento da classe dirigente.
Uma placa, em letras garrafais, exposta a algumas semanas em uma tesourinha no final da Asa Norte, resume o que anda pensando e desejando a população em relação ao governo. Diz a placa: “Governar é não roubar”. A frase parece sintetizar o desejo íntimo dos brasileiros com relação aos governantes. Por trás dessa mensagem estão mais de 200 milhões de brasileiros que sentem na pele os efeitos perversos de maus governos. Não no sentido político e ideológico, mas no plano ético.
A crise experimentada por todos deriva, não de desacertos econômicos ou políticos, mas tão somente do comportamento sem ética de muitos de nossos dirigentes, nos três Poderes. Chegamos a uma situação tão bizarra , que somos obrigados a aceitar o fato de termos um deputado dormindo a noite na cadeia, e dando expediente durante o dia na Câmara dos Deputados, recebendo além do seu salário normal, uma ajuda de custo para moradia. E olha que esse é apenas um exemplo menor.
Fonte: Blog do Ari Cunha
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