Economia

Somente 22% dos brasileiros guardaram dinheiro em outubro

| 27/12/2017 - 21:35

Somente 22% dos brasileiros guardaram dinheiro em outubro

Com a lenta recuperação econômica, sobretudo no mercado de trabalho, são poucos os brasileiros que estão conseguindo chegar ao final do mês com sobras de dinheiro. Segundo dados apurados pelo Indicador mensal de Reserva Financeira do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC
Brasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), apenas dois em cada dez (22%) consumidores puderam guardar dinheiro no último mês de outubro. A maioria (73%) dos consumidores não conseguiu guardar qualquer quantia, enquanto 5% não souberam ou preferiram não responder.
Dados detalhados do indicador por nível de renda revelam que, nas classes C, D e E, há uma proporção ainda maior de brasileiros que deixaram de poupar em outubro. Oito em cada dez (78%) pessoas que se enquadram nessa faixa de renda não conseguiram poupar ao menos parte de seus salários. Já nas classes A e B, o percentual de não-poupadores diminui para 58% da amostra, mas ainda assim revela que o hábito de poupar não é maioria nem mesmo entre a população de mais alta renda.
Entre os brasileiros que não pouparam nenhum centavo, 48% justificam uma renda muito baixa, o que torna mais difícil ter sobras no fim de cada mês. Outros 15% disseram não ter qualquer fonte renda e 14% foram surpreendidos por algum imprevisto financeiro. Há ainda 13% de consumidores que disseram não ter disciplina para guardar o que recebem de salário.
Para a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, o controle dos gastos exige disciplina, mas traz recompensas. “Hoje o consumidor conta com o auxílio de aplicativos e modelos de planilhas já prontas para auxiliar no controle dos gastos e pode usar isso ao seu favor.
Além disso, para contornar a indisciplina, uma boa solução é fazer uma programação automática de retiradas mensais de dinheiro, ainda que em pequena quantidade. Se o consumidor deixa para guardar só o que sobra, ele pode ceder à tentação de transformar o que deveria ser uma reserva financeira em consumo por impulso”, orienta a economista.
Outro dado é que metade (50%) dos brasileiros que possuem reserva financeira tiveram de sacar parte dos seus recursos guardados no último mês de outubro. O destino dessa quantia foi, principalmente, o pagamento de dívidas (11%), despesas extras (11%), imprevistos (11%) e pagamento de contas da casa (9%).
A pesquisa mostra que proteger-se contra imprevistos é o principal propósito dos brasileiros que conseguiram guardar parte da renda no mês de outubro. Quatro em cada dez poupadores (40%) reservaram parte de seus rendimentos para lidar com uma eventual doença ou morte de alguém da família. Em seguida, aparece a realização de um sonho de consumo (27%), o desejo de fazer uma viagem (24%), garantir um futuro melhor para a família (23%) e lidar com o risco de ficar desempregado (23%).
Há ainda entrevistados que guardam dinheiro para reformar a casa (15%) ou investir nos estudos (13%).
Os especialistas do SPC Brasil orientam que o fim de ano, com o tradicional pagamento do 13º salário e de bonificações para alguns trabalhadores, pode ser um bom momento para constituir uma reserva.
“Aqueles que, ao longo do ano, não conseguiram juntar recursos podem dar um primeiro passo guardando parte dos rendimentos extras. Se fizerem disso um hábito, poderão dispor de recursos para imprevistos, para realizar sonhos e, no longo prazo, para garantir uma aposentadoria mais tranquila”, afirma a economista Marcela Kawauti.
De modo geral, o levantamento do SPC Brasil mostra que o brasileiro tem um perfil conservador e inerte na busca de melhores opções das modalidades de investimento. Considerando os entrevistados que costumam poupar, mais da metade (52%) recorreu a tradicional caderneta de poupança. Em seguida, um percentual elevado de 21% disse que costuma deixar o dinheiro em casa, prática não recomendada, uma vez que além desse dinheiro perder o poder de compra ao longo do tempo, está sujeito a furtos. Outras opções mais rentáveis de investimentos, porém menos citadas pelos poupadores, são os fundos de investimento (10%), previdência privada (8%), CDBs (7%) e tesouro direto (4%). Entre aqueles que conseguiram guardar dinheiro em outubro e que sabem o valor guardado, a média é de R$518,70.
O indicador mostra que a poupança, além de ser o destino mais comum das reservas, também é o investimento mais conhecido por aqueles que não tem o hábito de poupar: 71% dessas pessoas disseram já ter ouvido falar a respeito dessa modalidade. No caso da previdência privada, 57% dos que não a possuem, já ao menos ouviram falar ao seu respeito.
Alternativa que ganhou espaço nos últimos anos - período em que a taxa Selic se manteve elevada - o tesouro direto é conhecido por apenas 31% desses entrevistados.
De acordo com os entrevistados, as principais razões para não investir em determinadas modalidades de investimentos são o costume por modalidades tradicionais (30%), falta de conhecimento (28%), não saber como fazer (23%) e o medo de perder dinheiro (17%).
Para o educador financeiro do portal ‘Meu Bolso Feliz’, José Vignoli, habituar-se a guardar dinheiro é apenas o primeiro passo. O segundo, é aloca-lo de modo a garantir um bom rendimento. “Se a escolha do investimento não for bem pensada, no longo prazo, o consumidor pode deixar de ganhar dinheiro nas aplicações. Se a reserva visa a um objetivo de curto prazo, a poupança é melhor do que manter o dinheiro em casa. Por mais que o rendimento da poupança não seja tão alto, é maior do que não fazer nada. Agora, se os objetivos são para médio ou longo prazo, é fundamental pensar em aplicações mais rentáveis, ainda que com menos liquidez”, explica Vignoli.
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