Cultura

Há 122 anos nascia o cinema

| 27/12/2017 - 21:15

Irmãos Lumière, considerados os “pais” da Sétima Arte (Foto: Reprodução)

Há 122 anos eram apresentadas à humanidade as primeiras cenas exibidas em público por uma máquina capaz de captar imagens estáticas e projetá-las em movimento para os espectadores. A invenção dos irmãos Lumière constituiu o marco inicial do cinema e se chamava cinematógrafo, que em grego significa “registro de imagem em movimento”.
Eles não poderiam imaginar, mas quando os franceses Auguste e Louis Lumière exibiram em 28 de dezembro de 1895 o primeiro filme de todos os tempos, Arrivée d’un train em gare à La Ciotat (Chegada de um trem à estação da Ciotat), estavam entrando para a história como os “pais” da Sétima Arte. Ao todo, a primeira sessão de cinema da história durou cerca de 40 minutos e nela os irmãos franceses exibiram 7 outros filmes além de La Ciotat.
A sala que se tornou o primeiro cinema do mundo, recebeu o nome de Eden e ficava localizada na cidade de Lyon. Ela funciona até hoje e os primeiros aparelhos usados para a projeção de filmes podem ser encontrados na mesma cidade, que abriga o Instituto Lumière. O lugar exato em que foram gravados os primeiros registros da história, também foi preservado e hoje no local encontra-se a Cinemateca de Lyon.
A bem da verdade, os irmãos Lumière não inventaram o predecessor das câmeras que conhecemos hoje, eles apenas aperfeiçoaram a criação de outro francês, Léon Bouly, que três anos antes da exibição no Eden, havia concebido uma versão mais rústica do cinematógrafo (apesar de ter criado o primeiro aparelho capaz de captar e projetar imagens em movimento, Léon perdeu para os Lumière o registro da patente da máquina).
A palavra “cinematógrafo”, inicialmente, denominava o aparelho capaz de captar cenas em movimento e projetá-las. O nome do aparelho, porém, logo seria usado para designar também os locais onde eram exibidas imagens em movimento. Posteriormente, o termo, reduzido para “cinema”, passou a se referir às salas de projeção e à arte de filmar.
O interesse por essa arte foi tamanho, que aos poucos seduziu as pessoas no mundo todo e aqui não foi diferente. No Brasil, sete meses depois da exibição inédita ocorrida em Lyon, desembarcava no Rio de Janeiro o primeiro cinematógrafo, que aqui chegou com o nome de omniographo. A primeira sessão de cinema em nosso país ocorreu em 8 de julho de 1896, promovida no Rio de Janeiro pelo belga Henri Paillie (foram projetados oito filmes de cerca de um minuto cada, com cenas do cotidiano de cidades européias). Entretanto, com a baixa disponibilidade de energia elétrica no Brasil daquela época, o cinema progrediu a passos lentos. Em 19 de junho de 1898 foram registradas as primeiras imagens do país, quando a bordo do navio Brésil, o italiano Afonso Segreto, que retornava de uma viagem à Europa, filmou o desembarque na Baía de Guanabara. Essa é a primeira produção cinematográfica brasileira e por isso a data é considerada o Dia Nacional do Cinema.
O sucesso das exibições na telona foi tão grande, que dez anos depois, em 1908, o Rio (após expandir a produção de eletricidade) já dispunha de 20 salas de cinema em pleno funcionamento e o circuito brasileiro dava seu pontapé na estruturação comercial. Entre os empreendedores que instalaram as primeiras salas comerciais de cinema no Brasil, estavam Afonso Segreto e seu irmão Paschoal.
Fernando Baldi Braga
Curiosidade
A chegada do cinema pelas mãos de estrangeiros e a gravação, bem como exibição dos primeiros filmes em solo brasileiro se deram por uma peculiaridade: naquele período inicial, havia uma tradição no Brasil de que qualquer trabalho manual fosse executado por ex-escravos, e quando fosse mais complexo era executado por estrangeiros. Devido a “complexidade” de manuseio dos aparelhos, a exibição e produção ficaram, inicialmente, a cargo de estrangeiros, mais especificamente de italianos.
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