AgroGazeta

Embrapa lidera programa de investigação do solo brasileiro

| 29/12/2017 - 21:30

Dezembro de 2017 foi um mês histórico para o conhecimento sobre solos no Brasil. No dia 5 deste mês, Dia Mundial do Solo, foi lançado o Programa Nacional de Solos do Brasil, o PronaSolos, maior empreendimento técnico-científico nacional na área. Nessa data, sob a liderança da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa, vinte instituições brasileiras assinaram - em Brasília, na Sede da Empresa - protocolo de intenções para realização de levantamento e mapeamento de solos no País. No dia 14, o Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, assinou o decreto que cria oficialmente o PronaSolos. O trabalho, inédito, liderado pela Embrapa Solos, envolve várias Unidades de Pesquisa da Embrapa, universidades, institutos e empresas de pesquisa e agências especializadas.
O presidente da Embrapa, Maurício Antonio Lopes, ressalta a magnitude da iniciativa de âmbito nacional e a importância do trabalho coletivo. “Não se faz um trabalho dessa magnitude sem parceria muito consolidada, por isso envolve atores de extrema importância, o que torna o programa maduro desde seu início e com condições de alcançar grandes resultados. O solo sustenta a vida em nosso planeta e deve ser muito bem cuidado”.
O objetivo é mapear 1,3 milhão de quilômetros quadrados nos primeiros dez anos e 6,9 milhões de quilômetros quadrados em 30 anos. Devido à dimensão continental do País, o PronaSolos terá longa duração, sendo previsto para ser realizado em três etapas: de curto (0 a 4 anos), médio (4 a 10 anos) e longo prazos (10 a 30 anos), com metas de trabalho distintas. Na primeira fase, serão estudados solos em áreas prioritárias, escolhidas pelas instituições participantes em cada estado, e realizado levantamento de solos e as interpretações associadas para cerca de 430 mil km2.
Impactos potenciais – O programa vai reunir atividades de investigação, documentação, inventário e interpretação de dados de solos brasileiros para gestão desse recurso e sua conservação, gerando dados e informações de solos, com diferentes graus de detalhamento para criação de sistema nacional de informação sobre solos brasileiros. Como o solo é multifuncional, embora a produção agrícola seja sua principal função, o estudo desse recurso essencial fornecerá informações fundamentais para inúmeras áreas que vão de mudanças climáticas e recursos hídricos a seguro rural e telecomunicações. Assim, o PronaSolos terá também grande importância no subsídio a políticas públicas e de gestão territorial, pois conjuga o desenvolvimento econômico no campo com a conservação dos recursos naturais. Os resultados beneficiarão mais de uma dezena de setores como os de seguro e crédito agrícola, zoneamentos agroecológicos e ecológico-econômicos dos estados e municípios, Programa de Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (Plano ABC), vulnerabilidade dos solos a eventos extremos em áreas urbanas e rurais; planejamento de uso e manejo sustentável em microbacias e projetos de telecomunicações entre vários outros. Outro efeito importante decorrente, previsto pelos especialistas envolvidos, é a valorização da terra.
Entre outras aplicações, pode-se citar o incentivo a projetos de irrigação e à estocagem de carbono para mitigar as emissões de gases de efeito estufa - por meio da manutenção ou do sequestro desse carbono no solo - e a obtenção de informações sobre necessidade de aplicação de insumos e nutrientes para a agricultura, evitando o desperdício e a contaminação das águas subterrâneas. Além disso, o maior conhecimento dos solos vai permitir a diminuição das áreas degradadas, tendo em vista que novas degradações poderão ser evitadas e as já existentes, recuperadas. O programa poderá ainda, subsidiar a construção de estradas, o planejamento de cidades e a escolha de áreas de deposição de resíduos e aterros sanitários, dentre outros.
Segundo a Chefe-geral da Embrapa Cocais, Maria de Lourdes Mendonça Santos Brefin, especialista em solos e egressa da Embrapa Solos onde coordenou diversos projetos de pesquisa em solos em âmbito nacional e internacional e também exerceu a função de chefe-geral, o PronaSolos, especificamente para as atividades agrossilvipastoris (agropecuária e floresta), vai fornecer dados para que o País obtenha ganhos de produtividade e políticas de uso eficiente de insumos, dentre eles, os fertilizantes, aumentando a competitividade e a sustentabilidade da agricultura brasileira. “O solo, juntamente com a água, é o componente mais importante da produção e, a depender da forma como o tratamos, construiremos ou não um desenvolvimento em bases duradouras. É preciso conhecer melhor nossos solos para otimizar a aplicação de práticas agronômicas sustentáveis, bem como para executar planejamento de uso das terras por meio de zoneamentos, subsidiando as políticas públicas” com mais precisão.
Maria de Lourdes lembra que os solos constituem a maior reserva de carbono terrestre. Quando manejados de forma sustentável, desempenham papel fundamental na adaptação e mitigação das mudanças climáticas e na produção de serviços ecossistêmicos, armazenando carbono e diminuindo as emissões de gases de efeito estufa para a atmosfera. Além disso, os solos com alto teor de carbono orgânico são mais férteis e produtivos, atuam na purificação da água e são fonte de biodiversidade. Por outro lado, quando o solo é mal manejado ou degradado (situação que atinge um terço dos solos no mundo, de acordo com dados da FAO!), o carbono sequestrado e outros gases de efeito estufa resultantes da degradação são liberados de volta para a atmosfera. “Além disso, na presença de alterações climáticas e perda de biodiversidade, os solos tornaram-se um dos recursos mais vulneráveis do mundo. Isso significa que o reservatório de carbono orgânico do solo da Terra poderia liberar quantidades maciças de gases de efeito estufa para a atmosfera, ou sequestrar mais deles, dependendo do manejo que se dá aos solos, vis-à-vis suas características intrínsecas”, completa.
Fonte: Embrapa Cocais/Embrapa Solos
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