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Lunitti avalia primeiro ano de governo e perspectivas para 2014

| 31/12/2013 - 00:00

Lunitti avalia primeiro ano de governo e perspectivas para 2014

Em entrevista à Gazeta de Toledo, antes do Natal, o prefeito Beto Lunitti fez uma avaliação do seu primeiro ano de governo e das perspectivas para 2014. Lunitti falou das ações realizadas em 2013, especialmente na área da saúde e da educação, e dos projetos para o próximo ano. Entre os desafios estão o de colocar em funcionamento a Unidade de Pronto Atendimento da Vila Becker, cuja obra física foi concluída em 2012, a construção do terceiro bloco do Hospital Regional e a implantação de novas unidades do programa Estratégia Saúde da Família, para viabilizar a implantação do curso de Medicina em Toledo. Ele apoiou a iniciativa dos seus secretários, de ingressarem com ação contra a Caixa de Assistência dos Servidores (CAST), não descartou a possibilidade de mudanças na equipe e anunciou para o primeiro semestre do próximo ano as obras do aeroporto regional Luiz Dalcanalle Filho, visando a viabilização de voos regionais. Confira a seguir a entrevista, concedida à jornalista Eliane Cargnelutti Torres.

Gazeta de Toledo: Qual a sua avaliação deste primeiro ano de governo?
Prefeito Beto Lunitti: É uma avaliação positiva, porque a gente se propôs, dentro do que estabelecemos no plano de governo, evidentemente que mesmo sendo o primeiro mandato, depois de um longo período de 16 anos de governo, um governo diferente, foi muito bom. Algumas ações importantes que fizemos e que estão dentro do contexto do nosso plano. Por exemplo, até posso dividir as ações nas áreas de humanas. Na saúde nós avançamos muito, contratamos 22 médicos, enfermeiros, técnicos em enfermagem, 29 agentes comunitários de saúde e 14 de endemias, que estavam defasados. Foi ampliada a assistência da saúde, foram implementadas as Estratégias da Saúde da Família. Estamos com registro para termos as nove equipes. Hoje temos sete e já para o início do ano (talvez) possamos ter mais duas, nove no total. Avançamos nos exames. O convênio com a Unipar foi um avanço, melhoraram os serviços, tornaram-se mais ágeis e o fluxo no Mini Hospital diminuiu. O serviço ficou mais eficiente e as pessoas que procuram sentem isso.
Uma coisa que a gente avançou bastante foi na prevenção. Só para pegar um mês, em outubro (NR data da Campanha Outubro Rosa) a gente fez 147 por cento acima do que preconiza o Ministério da Saúde. Em março (foram) disponibilizados R$ 500 mil para cirurgias eletivas, principalmente em cirurgias de cataratas, também disponibilizamos e agora está sendo concluída a chamada pública para mais um milhão para cirurgias eletivas, com a tabela do SUS em dobro. São avanços, utilizando recursos públicos para estes serviços. São serviços para o ano que vem. Demorou um pouco, que é muito burocrático, mas estamos disponibilizando para o ano que vem.
Nós colocamos recursos públicos para o SAMU. O município investiu R$ 506 mil na implantação e vamos aplicar em dezembro um valor próximo a R$ 200 mil para o SAMU. Na saúde, reformas das unidades básicas, principalmente o Centro de Saúde, foram compradas duas novas ambulâncias. Ampliamos por duas horas o atendimento da farmácia no Mini Hospital, dando mais qualidade de vida às pessoas.
Nos deixou muito contentes, pelo esforço da Secretaria de Saúde e dos deputados, a construção da UBS no Coopagro, prevista para 2014. Espero que se concretize, já está assinado o convênio, a UBS no Panorama e além da que estamos trabalhando no César Parque. Estamos fazendo um ajuste no Centro de Idosos, para outra UBS no César Parque.
Gazeta de Toledo: A Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Vila Becker tem previsão de entrar em funcionamento quando?
Lunitti: A UPA foi um dos motivos da minha ida a Brasília (em dezembro). Nós temos R$ 800 mil para equipamentos, estamos na expectativa de liberação de recursos ainda neste ano, para licitarmos a compra dos equipamentos. A nossa obrigação com o Ministério é de colocar em funcionamento até o final de março do próximo ano. Temos este desafio.
Gazeta de Toledo: E o desafio da contratação de profissionais?
Lunitti: A contratação é outro debate que a gente está fazendo em relação a isso com a Fundação Saúde. Nós retiramos o projeto de lei para ampliar um pouco mais o entendimento. Já tínhamos feito isso, mas é necessário equacionar e buscar o consenso junto com o Ministério Público, Conselho de Saúde, a Câmara de Vereadores. É fundamental um entendimento aprofundado do que é esta fundação. Nós estamos vendo exemplos Brasil afora do que é e deram certo. O governo do estado está neste debate, o deputado federal André Vargas, na Câmara de Deputados, está abordando a questão. Eu creio que será um grande avanço para o país neste sentido.
Gazeta de Toledo: Depende também desta discussão na Câmara dos Deputados?
Lunitti: As fundações já estão em funcionamento. Nós temos em Curitiba o Hospital Erasto Gatner em funcionamento. Há um entendimento, pelo que temos de informações, de que o próprio Tribunal de Contas, que isso é possível fazer.
Tivemos também avanços nas unidades de saúde em relação ao pré-natal. Queremos perseguir muito a redução da mortalidade infantil. Ainda está alta e a gente quer reduzir, fazer um incremento. Autorizei a compra de mais um equipamento para agilizar os exames. Outra coisa importante na saúde é a conquista dos equipamentos para o Hospital Regional. Houve um entendimento por parte do Ministério da Saúde e da Casa Civil que os equipamentos precisavam entrar num programa do Ministério da Saúde e aí ver a possibilidade disso ser liberado a partir do ano que vem. São R$ 16 milhões para equipamentos para o Hospital. Outra demanda, que fizemos com os demais prefeitos, é a construção dos blocos 3 e 4 do Ciscopar. A ministra Gleisi Hoffmann ficou de liberar 7 milhões para que estes blocos sejam construídos.
Para o ESF estamos buscando mais recursos. Quando você tem de 5 a 9 equipes de Saúde da Família, você pode buscar o Núcleo de Apoio à Estratégia de Saúde da Família. É mais um recurso federal para você ter mais profissionais, psicólogos, nutricionistas, fisioterapeuta para complementar cada equipe. O projeto está tramitando no Ministério da Saúde.
Gazeta de Toledo: A maior dificuldade é pessoal?
Lunitti: Sim, nesta vertente, a longo prazo, o curso de Medicina vai ser de fundamental importância, um incremento de soluções. Com a vinda do curso de Medicina vamos ter que fazer o terceiro bloco do Hospital Regional. Quero agendar para o início do ano uma conversa com a equipe da Universidade Federal do Paraná para discutir esta ampliação. Ainda não está oficializado o curso, mas todas as conversas que estão sendo tratadas dão conta que isso está extremamente certo.
Gazeta de Toledo: Seria um novo esforço para conseguir recursos federais?
Lunitti: Também. O nosso interesse é conversar com eles, definir qual o modelo de projeto, licitarmos os projetos dentro do que a universidade está pensando e também dentro do contexto do Ciscopar. Estamos coordenando, mas tem que ter o entendimento dos demais prefeitos. Na saúde tem muito a melhorar, mas temos foco, nós queremos solução, resolutividade. O que nós estamos com muita energia para fazer a aplicação são os grupos de ESF e a gente sabe que todo este contexto requer esforço do governo no sentido de proporcionar atendimento eficiente nas unidades de saúde, mas também promover mudança de hábitos na população, onde as pessoas tenham dentro de si o contexto da prevenção. Precisamos também definir o que é o Mini Hospital. Hoje não temos uma definição. Precisamos fazer um estudo aprofundado do que está sendo feito e definir ações, dentro de um contexto que compreenda o atendimento separado em UBS e pronto atendimento.
Gazeta de Toledo; A viagem a Foz do Iguaçu por servidores da UBS do Jardim Europa trouxe um desgaste à sua administração?
A gente ressalta que houve esta falha administrativa. É inegável que houve um desgaste, nós gastamos energia naquilo, quando poderia ter gasto em outras questões. Está executada a sindicância, a recebi na sexta-feira pela manhã. Como teve toda esta comemoração do aniversário e viajei a Brasília, não tivemos tempo de ler, mas tenho 15 dias para decidir. Vou dar o tratamento que a questão merece, estamos dentro deste contexto, tranquilos com relação àquilo que precisamos fazer. Naturalmente que foi um episódio que marcou, mas que o governo, pelas suas ações, não pode ser resumido a isso, principalmente na área de saúde, que tivemos tantos avanços neste setor.
Gazeta de Toledo: O sr. está satisfeito com a sua equipe de trabalho ou pretende fazer alterações?
Lunitti: Naturalmente tem um saldo extremamente positivo em todas as secretarias. Quando muda ano, utiliza-se este período para fazer uma reflexão, uma revisão e alteração de rumo, quando for o caso. Isso está sendo pensado por mim, com certeza. Nós teremos reuniões em separado com os secretários, mas de maneira geral estou satisfeito sim.
Gazeta de Toledo: Seria uma mini-reforma?
Lunitti: Não estou pensando nisso. Mas se houver necessidade, naturalmente vou fazer.
Gazeta de Toledo: Com a criação novo partido o PROS e a saída membros do PSC, como o Sr. pretende conciliar estas questões para garantir que seus projetos sejam aprovados na Câmara de Vereadores?
Lunitti: Para ter uma situação mais favorável, mais tranquila, é sempre importante termos neste contexto o apoio da Câmara de Vereadores. Como prefeito estou absolutamente tranquilo com relação à Câmara de Vereadores por que não há interesse nosso em mandar projetos de lei que tenham problemas de aceitação no Legislativo. Lógico que em alguns instantes existem pensamentos diferentes do nosso e que a gente precisa se respeitar, porém nas articulações políticas feitas pela gente do governo e da Câmara sempre procura aproximar os interesses que todos, tenho certeza, querem fazer ações que beneficiem a população. Não me preocupa a Câmara por conta do bom relacionamento que a gente estabeleceu com todos os vereadores.
Se tu fizer um levantamento de todos os projetos que nós mandamos, eu diria que 99,9 por cento foram aprovados. Um que outro que não teve aceitação da maioria e preciso respeitar, assim como quando não concordei vetei e eles resolveram lá. É um modelo de relação diferente do que se tinha no passado, transparente, respeitando os poderes. Não há ingerência do Poder Executivo no Legislativo. Também o Legislativo tem tido uma postura de respeito ao Executivo. É a Inauguração deste novo tempo que estamos falando e tem que haver esta compreensão, o amadurecimento da prática da política sob o aspecto da gestão, da transparência, da política propriamente dita, tem que ser desta forma.
Gazeta de Toledo: Outra questão que foi inclusive abordada na Câmara de Vereadores em pronunciamento na sessão de vereadores foi a questão da Cast. O vereador Neudi Mosconi considerou imoral a decisão de secretários de entrarem com ação civil pedindo a devolução de valores pagos. Como o Sr. analisa estão questão? O Sr. tinha conhecimento da postura de membros da sua equipe?
Lunitti: Eu acho isso uma normalidade. Este pessoal é cargo em comissão. Muitos vêm da iniciativa privada e já têm seu plano de saúde. Estão numa passagem transitória aqui. Não vejo nenhum problema. Isso também mostra o desejo de que as pessoas que estão no governo estão trabalhando pelo princípio da execução do serviço público, mas elas também têm liberdade de ação. Eu, como prefeito, não vou interferir na vida destes secretários. Não há nenhum problema da minha parte. Naturalmente que isso, aos olhares de alguns, pode causar uma diversidade política. É perfeitamente compreensível por quem está querendo promover uma boa política no município, está se tentando, no meu ponto de vista, pegar isso para causar um debate que visa estritamente o cunho politiqueiro.
Gazeta de Toledo: O sr. não teme que isso pode vir a inviabilizar o sistema?
Lunitti: Não, porque a Cast está com superávit, organizamos com o Júlio (Perondi, superintendente da Cast) . A Cast tem que ter uma atuação independente. O prefeito não tem que nomear cargo de confiança. Isso é próprio dos servidores, teria que ficar sob a égide dos servidores. É um debate que pode ser feito com muita tranquilidade. Torço para que a Cast tenha o seu norte e cumpra o papel para o qual foi criada, de dar assistência ao servidor público. A gente está vigilante, inclusive na discussão que tivemos. O Júlio fica até 31 de dezembro e na nomeação de quem vai conduzir, que é a Ângela Zoletti, foi discutido com os servidores, foi o nome sugerido pelos servidores. Ela é servidora de carreira aposentada e tem conhecimento na área e vai ter o cuidado suficiente para manter a Cast superavitária.
Gazeta de Toledo: A saída do Júlio tem a ver com esta situação?
Lunitti: Não, absolutamente. Ele já tinha manifestado interesse em sair. Foi uma conversa que mantivemos anteriormente e ele disse que ficaria até dia 31. Pedi para que ficasse até janeiro, mas ele disse que poderia ficar até o dia 31.
A entrevista continua na próxima edição.
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