Cultura

Oscar Silva: Primeiro livro de Toledo foi lançado há 50 anos

| 14/01/2018 - 07:55

Oscar Silva: Primeiro livro de Toledo foi lançado há 50 anos

Na próxima semana, um momento especial marcará nossa cultura, quando celebraremos os 50 anos da publicação do livro “Água do Panema”, primeiro lançamento literário de Toledo, de autoria de Oscar Silva. Na ocasião, a Academia de Letras de Toledo – ALT – realizará uma cerimônia para prestar sua homenagem póstuma ao escritor, que ocorrerá no Centro Cultural que leva seu nome. O local, situado na Rua Tiradentes, abriga a Biblioteca Pública Municipal, a sede do Clube da Poesia e da ALT, e estará aberto para receber a comunidade durante a solenidade, marcada para terça-feira, às 18:30. Abaixo, seguem as informações sobre o livro e seu autor, escritas pelo jornalista, escritor e membro da ALT, Luiz Alberto Martins da Costa.
A literatura, destaque da entidade cultural de Toledo e da cultura regional, estará comemorando 50 anos na terça-feira, dia 16 de janeiro de 2018. Foi nesta data, em 1968, que o livro “Água do Panema”, do escritor e historiador Oscar Silva, foi lançado em comemoração ao seu 53º aniversário.
O lançamento aconteceu em sessão de autógrafos na então Livraria do Comércio, na época pertencente ao saudoso escritor e historiador Ondy Hélio Niederauer, que fundou a Cadeira 16, da Academia de Letras de Toledo (ALT) e faleceu em 1º de fevereiro de 2012.
Desde então, segundo catálogo que está sendo elaborado pelo escritor, poeta e jornalista Luiz Alberto Martins da Costa, foram lançados 366 obras literárias, coletivas e /ou individuais, de 159 autores toledanos.
Em Toledo, além de “Água do Panema”, Oscar Silva lançou os livros "O conto e as massas", em 1970; "Semente do paraíso", em 1980; "Toledo, a terra e o homem", em 1981; “Cartilha de Toledo”, em 1984; “Toledo e seus Distritos”, em 1986; “Sete caras”, em 1986; “Toledo e sua história”, em 1988; “Toledo existe – Resposta a Câmara Cascudo”, em 1991; e “Fruta de Palma – Crônicas nordestinas”, 2ª edição, também em 1991, ano em que faleceu, deixando incompleta a obra "Eu vi os pedaços de Lampião".
Antes disso, ainda em Alagoas, havia publicado outros livros, entre os quais “Asas para o pensamento", em 1945; “O cavaleiro da esperança”, em 1946; e “Fruta de palma”, em 1953. No total, escreveu, editou e/ou organizou mais de 20 obras individuais e coletivas. Em retribuição à sua contribuição para a construção do patrimônio literário de Toledo, o Centro Cultural de Toledo, onde está a Biblioteca Pública Municipal, recebeu a denominação de Oscar Silva.
Além do saudoso escritor e historiador, a literatura de Toledo tem diversos outros autores destacados, que consolidaram a identidade cultural do município e suas carreiras de escritores ao longo das últimas décadas.
Entre os recordistas na produção literária local estão o professor, poeta e escritor Luiz Carlos Salamí, fundador da Cadeira 15 da ALT, com 14 publicações próprias; o escritor poeta e jornalista Luiz Alberto Martins da Costa, fundador da Cadeira 05 da ALT, com 13 obras individuais e mais de 30 coletivas; o escritor e poeta Antonio Ruiz Marques, fundador da Cadeira 02 da ALT, com 12 livros; e o escritor Bruno Marco Radunz, fundador da Cadeira 04 e 1º presidente da ALT, com sete obras individuais, além das coletivas.
Oscar Silva
O escritor Oscar Silva, autor do cinqüentenário livro “Água do Panema”, editado pela Gráfica e Editora Menoti, de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, patrono da Cadeira 03 da ALT, nasceu em Santa do Ipanema, no Estado de Alagoas, em 16 de janeiro de 1915.
Como servidor federal chegou a Toledo em 19 de março de 1963, ocupando a função de primeiro coletor da cidade, na qual permaneceu até se aposentar, na década de 80, quando passou a coordenar o Projeto História, da Prefeitura local, que editou diversas obras coletivas e históricas.
Conforme o professor, escritor e jornalista Pitágoras da Silva Barros, ex-vereador e ex-chefe do 20º Núcleo Regional de Educação, filho de Oscar Silva, seu pai “com alicerce no submundo social da terra natal, era desses nordestinos teimosos que muito se orgulhavam das pedras no caminho de sua origem proletária”.
“Vindo ao mundo no primeiro ano de grande seca do século passado, em 1915, operário de tecelagem, balconista de botequim, integrante da Polícia Militar que combateu Lampião, servidor público civil estadual e depois funcionário dos Correios e do Ministério da Fazenda, por todas essas trilhas passou, enfrentando incompreensões, injustiças e ‘comendo o pão que o diabo amassou’, lembra Pitágoras.
“Enveredando pela política, sua entrada aí só poderia ser a do lado esquerdo, esquerda esta que, além de algumas cadeias, lhe renderia sérios prejuízos na vida profissional. Na literatura, por sua vez, autodidata e petulante, muita gente não lhe iria perdoar a ousadia do ingresso como escritor e muito menos as editoras lhe abririam as portas”, recorda.
“E daí? Daí que quem escreve quer ser lido - dizia ele. E o nordestino teimoso só encontrou um caminho: publicar às suas expensas o que fosse escrevendo. Foi, junto com Edílio Ferreira e Wilson Carlos Kuhn, os pilares de sustentação da cultura toledana e oestina”, acrescenta Pitágoras.
A obra
Nas “orelhas” e contracapa do livro “Água do Panema”, em espaços denominados “Fala o autor”, escreveu Oscar Silva: “Os temas regionais do Nordeste brasileiro parecem, às vezes, um tanto superados, teclas batidas e rebatidas, esgotadas mesmo, do romance nacional.
Tal esgotamento, porém, não vai, a nosso ver, muito além das simples aparências. Como o repentista ou o violeiro de sua terra, o escritor nordestino sempre poderá, a qualquer momento, descobrir ‘algo de novo’ nos costumes de sua gente, ângulos diferentes na luta de seu povo e registrar tudo isso no mural das produções literárias.
Escrevemos ‘Água do Panema’ com o único desejo de narrar, ao vivo e de maneira pouco diferente, a luta do sertanejo nordestino, a enfrentar a vida dentro dos mais diversos núcleos sociais de sua região.
Isto nos levou a escolher, acima de todos os personagens que se enfileiram no enredo, todos autenticamente humanos, um bem maior e capaz de constituir o verdadeiro símbolo desse povo que luta e que tem dado tratos á bola de sociólogos os mais proeminentes.
E esse personagem não é, nem poderia ser, outro que não o rio da terra onde os Aleixos, Sinhôs, Quitérias, Glorinhas e Ramiros, de todos os matizes se deleitam com os breves prazeres da vida e também comem o pão que o diabo amassou.
Quem conhece o Nordeste, sabe muito bem o que representa ali um Moxotó, um Panema, um Traipu e outros rios, cujas enchentes se transformam em festa e cujos leitos, permanentemente secos, vivem atulhados de cacimbas, de onde se retira a água, salobra e ruim, mas indispensável à vida de todo o povo da região.
Entre o homem e o rio o símile é quase perfeito. A mesma diversidade de nascentes ou formação genealógica. A mesma luta contra as pedras do caminho, nas barulhentas cachoeiras. O mesmo desfalecimento nas grandes estiagens. A mesma teimosia, ao retomar o curso com a volta dos bons tempos. A mesmíssima prática de exageros, sob a embriaguez dos grandes invernos.
A publicação deste livro é, antes de tudo, traço vivo da teimosia nordestina. Não tanto de parte do autor, sim, de cidadão chamado Aguinaldo Nepomuceno Marques, doutor que não é de mentira, escritor que o é de verdade. Para alguns, ‘o sertanejo é, antes de tudo, um forte’; para outros, o nordestino, quando não é pária, é corumba, jeca, matuto, capiau ou jacu. Discordamos de uns e outros.
O Nordeste não é apenas catinga e analfabetismo, seca, fome e miséria. Também não é conjunto de miríficas matas iluminadas ou de poéticos luares do sertão. Eis o que procuramos demonstrar nesta obra. Este o ‘algo de novo’ que esperamos seja provado perante o leitor de ‘Água do Panema’.
Como burro de cego, há quase 20 anos os originais deste livro batem de porta em porta, na ingênua e vã tentativa de transpor os segredos umbrais das editoras. Fracassadas todas as gestões e indigestões, o destino de tais originais seria naturalmente o dos arquivos, senão o da lata de lixo.
Entretanto, dando uma olhada no calhamaço, o sertanense Aguinaldo Nepomuceno Marques sentiu o cheirinho de água que também é sua e não mais deixou o autor em paz. ‘É preciso publicar de qualquer forma’. Ora, de qualquer forma, só se a publicação fosse feita por conta do autor e sem a celestial e divina chancela de editora. E, de fato, depois de saltar por sobre mil e um obstáculos, é assim que o livro está sendo publicado.
‘Água do Panema’ aparece, portanto, como criança filha de muitos pais, além do próprio autor: de Aguinaldo Nepomuceno Marques, em Niterói; de Heictor Menoti Guaglianone, em Porto Alegre, e de Pedro Ary Pinto de Andrade, aqui em Toledo”, finalizou Oscar Silva.
Colaboração do escritor e jornalista Luiz Alberto Martins da Costa
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