Cultura

“Modernizar o passado é uma evolução musical”

Fernando Baldi Braga | 01/02/2018 - 20:50

“Modernizar o passado é uma evolução musical”

Há 21 anos, um dos fenômenos musicais que reformulava a cultura nordestina perdia seu expoente maior. No dia 2 de fevereiro de 1997 morria em Recife (PE) o cantor e compositor Francisco de Assis França, mais conhecido como Chico Science. Um dos principais idealizadores do movimento “Manguebeat”, que surgiu em meados da década de 1990 trazendo referências do mangue onde cresceu, ele foi o líder da banda Chico Science & Nação Zumbi.
Sua carreira foi precocemente encerrada aos 30 anos por conta de um acidente de carro. Seus dois álbuns gravados - Da Lama ao Caos (1994) e Afrociberdelia (1996) - foram incluídos na lista dos 100 melhores discos da música brasileira da revista Rolling Stone. Nascido em Olinda (PE) em março de 1966, Chico Science misturou ritmos nordestinos, principalmente o maracatu, com suas influências do hip-hop, soul e funk na banda Nação Zumbi. O grupo lançou um “movimento”, que ficou conhecido como Manguebeat, com o manifesto “Caranguejos com Cérebro”. Seu primeiro álbum, Da Lama ao Caos, projetou a banda nacionalmente. O segundo, Afrociberdelia, levou a banda a viagens pela Europa e Estados Unidos, onde fizeram sucesso de público e crítica.
Quem conviveu com Chico, dizia que ele “tinha a capacidade de samplear, uma lógica de composição de sampler, de recombinar elementos que estavam ao redor dele, de uma forma muito perspicaz e muito rápida.”
Inquieto e criativo, Chico agregou inovação à música brasileira, a partir de traços da cultura nordestina, em especial da pernambucana, e deixou sua marca como herança para seus seguidores. Há muito o Brasil não via um movimento musical e estético alcançar tamanha projeção, a ponto de o crítico musical Jon Pareles, no jornal norte-americano New York Times, apresentar Science como fundador do movimento de maior impacto na música brasileira desde a Tropicália.
“As letras combinam protesto político com imagens visionárias, e Chico Science as performou com exuberância, misturando movimentos de break-dance com a ciranda brasileira, usando um chapéu de palha de pescador tradicional e óculos escuros de um rocker”, descreveu o crítico.
Um acidente de carro na divisa entre as cidades do Recife e Olinda tirou de cena o promissor artista, que estava indo se apresentar pela primeira vez em um trio elétrico no bloco na Pancada do Ganzá, do músico e humorista Manoel da Nóbrega, marcado para 20h do dia 3 de fevereiro, na praia de Boa Viagem. Ele chegou a subir no trio elétrico ao lado do humorista uma semana antes em uma prévia para divulgar a apresentação no carnaval. Seria a última vez que Chico se apresentava ao público. O carro que o músico dirigia se chocou contra um poste na rodovia, às 19h30.
“Eu acho que essa tensão cultural é sofrida no Brasil inteiro. É uma questão de trabalhar os ritmos regionais. De você ter o que fazer e ter elementos para trabalhar. Não só no Nordeste como no resto do Brasil” (Chico Science).
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