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Histórias para o futuro visto

| 07/02/2018 - 21:00

No futuro distante, quando os historiadores passarem a analisar, com mais acuidade e sem a cegueira das paixões políticas, o período marcado pelos governos petistas no comando do país, irá se deparar com um material vasto e riquíssimo para a elaboração das mais diversas teses, abrangendo os mais variados aspectos da alma humana, abarcando temas que vão desde a psicologia comportamental até a elementos que remetam a literatura, mais propriamente ao realismo fantástico.
Aliás, para entender com mais precisão, esse período e a performance de pessoas e grupos ligados ao partido no poder naquela ocasião, será necessário ir buscar, para além da ciência política, características também descritas no realismo mágico, presente em muitas obras da literatura latino-americana. Somente a partir de uma análise mais ampla e sem preconceitos desse tempo, será possível adentrar num período de nossa história em que personagens reais se misturam com seres imaginários fabricados pelo marketing e pela propaganda política, resultando numa amálgama sui generis e surrealista.
De imediato os pesquisadores irão se defrontar com personagens que repentinamente se viram emergindo numa nova realidade, passando a ser expostos à um mundo que jamais sonharam existir. Para tanto, colocando os interesses do Estado de lado, até por que não compreendiam seu funcionamento, passaram a cuidar, às pressas e de improviso, de organizar um patamar ou bunker para proteger a cúpula do partido, assegurando medidas que permitiriam, doravante
Para um grupo, que se viu de repente sob as luzes da ribalta, aquele era um mundo novo, semelhante, talvez, àquele encontrado pelos navegantes europeus no século XV. Os Saltimbancos tomaram o poder dos patrões e conseguiram fazer o pior. Continuaram com o mesmo olhar que tanto reclamavam, mas de forma provinciana, abastecendo pessoas e partidos com dinheiro da corrupção. Tanto é, que não há estruturas mudadas nem na educação, transporte, segurança e saúde. A esperança depositada nos Saltimbancos também morreu.
Ao tomar posse do novo e amplo continente, os Saltimbancos paulistas trataram logo de agradar os autóctones do poder, com ossos, ovos de outro, carroças e uma estranha liberdade na forma de maços gordos de dinheiro, arrancados dos cofres do Estado. Guardados em malas, apartamentos, cuecas, contas no exterior, países afora.
Pela facilidade com que encontraram as minas do ouro de aluvião, passaram a explorar, febrilmente, as jazidas localizadas no seio das muitas estatais. Como nos melhores contos, onde a ambição de uns poucos leva todos igualmente à ruína, a rapinagem desmedida acabou por despertar inveja nos antigos donos da terra, alijados do banquete pantagruélico.
O que seguiu dessa desventura foi trazida à luz da população, sob a forma de delações, feitas por traidores temerosos do cadafalso da justiça. Os milhares de relatos, que compõem essa fase, traçam o retrato de um mundo que pareceu existir muito além da realidade, mostrando situações e personagens que levariam escritores como Gabriel Garcia Márquez, Jorge Luis Borges, Alejo Carpentier, Manuel Scorza e outros, a entender que para além do fantástico e mágico mundo que criaram, existe um país onde uma miríade de personagens eleva esse tipo de leitura aos píncaros da imaginação, reduzindo a realidade à um livro de areia, que se escreve infinitamente.
colunadoaricunha@gmail.com;
com Circe Cunha e Mamfil
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