Cultura

Mas será o Benedito?

Fernando Baldi Braga | 01/03/2018 - 20:40

Benedito Valadares Ribeiro (Foto: Reprodução)

Em tempos de intervenção federal no Rio de Janeiro, muito se tem dito, debatido e questionado sobre a decisão presidencial, que agradou alguns e causou indignação em outros. Se for para a segurança dos cidadãos e para o restabelecimento da ordem (há muito perdida) na sociedade carioca, esperamos que, acertada ou não, a ação renda bons resultados e contribua para diminuir as mazelas que acarretam a conturbação social pela qual passa a capital fluminense.
Essa página, como nossos leitores sabem, é voltada para a Cultura e embora o assunto abordado pareça propício aos editoriais de Política ou de Segurança Pública, encontramos um viés cultural para compartilhar, que é a formação de uma das forças de expressão popularizada na cultura brasileira. Aproveitando o ensejo da presente data, que registra o falecimento de Benedito Valadares, ocorrido em 02 de março de 1973, vamos buscar a origem de uma expressão que faz parte de nossa cultura popular: “Mas será o Benedito?”
Benedito Valadares Ribeiro foi um jornalista e político na época em que o país tinha como mandatário Getúlio Vargas. Durante o período histórico em que o processo conhecido como Revolução de 30 alçou Vargas ao poder, Valadares era editor de um jornal em sua cidade natal, Pará de Minas (MG). Após a ascensão de Getúlio, os estados passaram a ser administrados por interventores, ou seja, não havia eleição para a escolha dos governantes. O chefe do Executivo nos estados brasileiros era um interventor escolhido e nomeado pelo Presidente da República através de decreto (semelhante ao ato que designou o General Walter Braga Netto interventor federal no Rio), prática que só foi substituída pelo sufrágio universal (escolha através do voto) após Vargas deixar a cadeira presidencial, em 1945.
Valadares, recém entrado para a política, era um quase desconhecido deputado federal quando Getúlio Vargas o indicou para governar Minas Gerais, em substituição ao governador do estado Olegário Maciel, que havia falecido em setembro de 1933, 2 dias antes de completar 3 anos de mandato. O vice-governador havia renunciado ao cargo para assumir a prefeitura de Juiz de Fora e coube ao presidente a tarefa de escolher quem iria administrar o estado. Como havia muitos nomes interessados na vaga e pressão de diversos grupos nos bastidores da política, Getúlio escolheu o desconhecido Benedito Valadares para não desagradar nenhum de seus apoiadores.
Aguardando alguém com experiência política e respaldo, a população mineira ficou incrédula quando foi anunciado o nome da pessoa que assumiria o governo e seria responsável por conduzir os rumos administrativos do estado. Ninguém conseguia acreditar que se tratava do quase desconhecido deputado e inexpressivo jornalista do interior, e quando o presidente declarou em cadeia nacional de rádio que o chefe do Poder Executivo em Minas Gerais seria Valadares, a própria mãe do jornalista indagou: - “Mas será o Benedito?”
Benedito Valadares viria a se tornar um influente homem público e foi ele quem nomeou Juscelino Kubitschek como Chefe da Casa Civil de Minas Gerais e posteriormente como prefeito da capital Belo Horizonte, antes de JK tornar-se Presidente da República. Entre seus discípulos também estava outro mineiro que se destacaria na política nacional: Tancredo Neves.
Benedito foi o político que governou Minas por mais tempo (12 anos) e em sua homenagem foi batizada a cidade de Governador Valadares.
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