Estado

Atividade portuária tem cada vez mais participação de mulheres

| 07/03/2018 - 20:50

Um mercado considerado predominantemente masculino até alguns anos atrás, a atividade portuária conta cada vez mais com mulheres atuando em diversos setores, não só na área administrativa como também operacional e técnica.
Apenas na Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) 54 mulheres integram o quadro de colaboradores nas mais variadas funções. A engenheira civil, Érica Chin Lee, aos 29 anos, chefia a Divisão de Engenharia da Appa. Ela conta que, apesar de encontrar dificuldades de aceitação em algumas situações - pelo fato de ser mulher e ocupar uma função de chefia, o desafio diário é compensador.
“Gosto muito de trabalhar equipe e na área de engenharia os homens são predominantes, práticos e diretos. No entanto, as minhas ideias não são aceitas com a mesma facilidade que são aceitas as ideias de um homem, por exemplo”, relata Érica.
Ela diz ter aprendido que o reconhecimento do seu trabalho está diretamente ligado à sua capacidade técnica e a habilidade de lidar com as situações. “Coloco a mão na massa, vou ao cais do Porto, acompanho e fiscalizo obras e não posso demonstrar fraqueza e nem frescura. Aos poucos as mulheres estão ganhando espaço e respeito neste setor. A minha nomeação como chefe de engenharia comprova isso”, relatou Érica.
Outra jovem mulher que atua em um cargo de chefia nos Portos de Paranaguá e Antonina é a economista e administradora, Nathalia Gallo Bellinelo da Palma. Aos 28 anos ela é Chefe do Departamento Financeiro da Appa.
Por seu setor passam todas as contas a receber da Administração dos Portos, contas a pagar de todos os contratos de serviços, investimentos realizados pelo porto, compras de materiais, e demais pagamentos internos como salários dos funcionários, e a contabilidade da empresa. Além disso, a gestão dos recursos públicos da APPA é de grande responsabilidade e também passa pelo setor da Nathalia.
Vanessa das Graças Moraes, de 33 anos, é a única mulher que atua na profissão de Prática na baía de Paranaguá. Ela integra um time formado por apenas 15 mulheres, em um universo de 700 Práticos em todo o Brasil.
Prático é o profissional - autônomo que presta serviço obrigatório, regulamentado pela Marinha do Brasil – e que orienta o comandante da embarcação para rotas seguras de navegação, nas manobras de entrada ou saída de portos, bem como a atracação e desatracação dos navios. Nunca houve restrições para o ingresso de mulheres, mas, talvez, por causa das especificidades da profissão, o interesse do público feminino, até então, tenha sido menor.
Para as mulheres que têm o sonho de se tornar uma Prática, Vanessa lembra que não existe legalmente nenhum impedimento para o ingresso do público feminino na profissão. “É uma profissão peculiar porque é muito dinâmica. Em cada manobra existem diferentes variáveis, entre elas, as condições climáticas, fatores operacionais do próprio navio, o cenário da navegação, entre outros. No entanto, as mulheres podem desempenhá-la com louvor”, enumera Vanessa.
A advogada, Shana Carolina Bertol, 37 anos, é diretora executiva do Órgão Gestor de Mão de Obra (OGMO), criado por lei federal, formado e mantido por todos os operadores portuários de Paranaguá.
Dentre suas principais atribuições está a de administrar o fornecimento da mão de obra do trabalhador portuário e do trabalhador portuário avulso ao operador portuário. O OGMO também arrecada e repassa aos beneficiários os valores devidos pelos operadores relativos à remuneração do trabalhador portuário avulso.
Sobre estar em um meio onde os homens prevalecem, ela acredita que isso não interfere no reconhecimento profissional. “Independente do gênero, quando você gosta do que faz consegue se destacar e alcançar o reconhecimento profissional”, afirma Shana, que diz esperar contribuir cada vez mais com o cargo que ocupa, buscando excelência na gestão de mão de obra avulsa.
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