Artigos

O povo não é uma abstração

| 26/03/2018 - 21:00

Vivemos tempos bárbaros. A face de um Brasil violento se escancara, a partir do mais bonito cartão postal brasileiro, o Rio de Janeiro, onde jorra sangue na guerra entre as forças de segurança e a bandidagem. Manchetes sobre a tragédia carioca ganharam o mundo com o crime da vereadora Marielle Franco, do PSOL, e de seu motorista Anderson, vítimas de milícias.
Os números da violência espantam: mais de 60 mil assassinatos por ano no Brasil, o que supera em quase 15 mil os da Europa inteira, Estados Unidos e China, esta com uma população quase cinco vezes maior. Ou seja, em apenas uma hora, 7 cidadãos tombam vítimas da bandidagem.
Com a repressão no Sudeste, as gangues fogem para outras regiões, particularmente o Nordeste, que respira um clima de medo. No contraponto, policiais com proventos atrasados e em greve, equipamentos sucateados, ruas sem segurança e violência se espraiando.
O total de vítimas fatais é maior que o das guerras modernas. Deve-se considerar também o empobrecimento do país. O rombo da Previdência, por exemplo, tem a ver com o cano assassino que mata, aleija multidões, alarga a fila nos hospitais, multiplica as pensões de viúvas, devastando parcela ponderável do PIB, dinheiro que poderia ser investido em hospitais, escolas, casas, transportes e agricultura.
Mas a barbárie possui outras facetas, como a dos privilégios. Em tempos de escassez, é inadmissível que categorias profissionais defendam com unhas e dentes vantagens incorporadas aos seus salários,
alargando a distância entre os milhões de brasileiros que vivem com um salário mínimo e as castas que juntam mensalmente 30, 40, 50 mil ou mais de proventos, somando subvenções para auxílio-moradia, auxílio-paletó, auxílio-transporte, auxílio-comida, auxílio-livro e etc.
A barbaridade sobe os pedestais. Veja-se o que ocorreu no altar da nossa mais elevada Corte Judicial nesta quinta-feira, durante o julgamento do Habeas Corpus encaminhado pela defesa do ex-presidente Lula. Mais de quatro horas de exposições e debates, porém ainda não o mérito. Decide-se por maioria pelo acolhimento e, por solicitação do advogado de defesa, acolhe-se uma liminar para que Lula não possa ser preso até 4 de abril, data de julgamento do HC. Blindagem contra eventual posição do TFR-4, a ser tomada dia 26 de março, quando deverá julgar os embargos de declaração interpostos pela defesa de lula. Se não forem aceitos, presume-se que o corpo de juízes mande prender Lula, já condenado.
A barbaridade vem agora. Um ministro do STF avisa que irá viajar. A sessão poderia ter continuado, mas foi suspensa por cansaço de Suas Excelências. Na Semana Santa terão um tempinho de lazer. O HC tem prioridade ou as conveniências pessoais prevalecem? A imagem do STF, já desgastada por querelas pessoais, acaba esmaecida.
GAUDÊNCIO TORQUATO, JORNALISTA, É PROFESSOR TITULAR DA USP, CONSULTOR POLÍTICO E DE COMUNICAÇÃO TWITTER@GAUDTORQUATO
    SEJA o primeiro a comentar
  • Nome

    E-mail

    Escreva um comentário

Notícias de 'Artigos'

Eu creio, Senhor, mas aumentai a minha fé

Eles entraram no sepulcro, viram e acreditaram: Cristo Ressuscitou

Família e escola: uma parceria fundamental

Quo Vadis UnB

Jesus morreu na cruz para nos dar vida em plenitude

Profissão professor

Mais pobreza

A VIA PARLAMENTARISTA

A dignidade restituída e a esperança renovada

Os robôs estão chegando!

Mais Destaques
"Já foram 19 milhões que acessaram o site do Jornal Gazeta de Toledo- ISENÇÃO E VERDADE!"
(Eliseu Langner de Lima - diretor)
Enquete
Tempo Toledo
Cotações
Compra Venda
Dólar comer.
Euro (real)