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Reconhecimento: pela primeira vez a PM está sob o comando de uma mulher

Fernando Baldi Braga | 11/04/2018 - 21:00

Reconhecimento: pela primeira vez a PM está sob o comando de uma mulher

O Paraná viveu um momento histórico na data de ontem, quando rompeu uma tradição secular e abriu espaço para uma mulher entrar no seleto grupo de autoridades que têm sob sua tutela o resguarde de vidas, a proteção social e a manutenção da ordem. Até então restrito aos homens, o comando de uma corporação militar foi entregue nas mãos de uma policial, transformando a Coronel Audilene Rosa de Paula Dias Rocha em um símbolo que representa os avanços obtidos no cerne da Polícia Militar e as conquistas protagonizadas por mulheres no mundo contemporâneo.
Em cerimônia que durou aproximadamente duas horas e foi realizada na Academia Policial Militar do Guatupê, em São José dos Pinhais, a Coronel Audilene, de 52 anos, registrou na história a data de 11 de abril de 2018, ao tornar-se a primeira mulher a assumir, em 164 anos de existência da corporação, o Comando-Geral da Polícia Militar do Paraná. Desde que ingressou na PM, há 33 anos, a policial fez questão de passar por todos os postos e cargos da carreira até alcançar a patente máxima da corporação, a de Coronel. Com currículo de peso, sua trajetória passa por uma formação acadêmica exemplar, com graduação em Direito pela UEM – Universidade Estadual de Maringá - e em Segurança Pública, pela Academia do Guatupê, além da formação na Escola Superior de Magistratura do Paraná e na Escola de Oficiais, com pós-graduação na UFPR – Universidade Federal do Paraná. Sua carreira inclui também a passagem pelo Pelotão de Trânsito e chefia da Seção de Inteligência, da Seção de Justiça e Disciplina, da Seção de Recursos Humanos e da Seção de Logística, do 4° Batalhão de Maringá. Posteriormente, ela galgou um patamar mais elevado e chegou à chefia 3º Comando Regional de Maringá.
A Coronel Audilene ingressou na corporação em meados dos anos 80 e, apesar de ter construído boa parte de sua carreira em Maringá, também assumiu importantes funções na capital, onde comandou o Policiamento Comunitário e ajudou na criação dos Comandos Regionais do Interior. Com dedicação ao trabalho e conduta exemplar, ela foi convidada pelo então Comandante-Geral da PM, Coronel Maurício Tortato, para assumir a chefia do Estado Maior, cargo que ocupou nos últimos anos. Na cerimônia de transmissão do Comando, o Cel. Tortarto, que deixou o cargo para assumir a chefia da Casa Militar, destacou que “a Cel. Audilene chega ao topo da corporação pelos seus méritos, predicados, inteligência e dedicação”.
História
A origem de Audilene é simples e a história de sua família é humilde. O pai, alcoólatra, abandonou a família e a mãe teve que batalhar sozinha pelo sustento de cinco filhos. A coronel nasceu em Terra Roxa, mas próximo de completar 5 anos, mudou-se para Assis Chateaubriand. Caçula e única filha mulher, ela assumiu ainda pequena algumas responsabilidades da casa. A atração pela profissão vem da infância, quando viu dois policiais patrulharem a pé em Assis Chateaubriand. Os observando em serviço, sentiu vontade de um dia ser também uma policial. O irmão, Alvacir, ingressou como soldado da PM em Curitiba e quando fazia curso para Cabo, soube que havia vagas abertas para mulheres e ligou para a irmã. Depois de uma reunião em família, decidiram que Audilene iria para Curitiba e ficaria aos cuidados do irmão. Em 1985 ela entrou para a Academia do Guatupê e iniciou a carreira.
Mulheres na Polícia Militar
As mulheres passaram a ingressar nos quadros da Polícia Militar e de Bombeiro Militar a partir de 1977 e hoje compõem todos os postos e graduações, ocupando diversas funções até de comando, numa corporação que é predominantemente masculina.
Aproximadamente 21 mil servidores compõem as guarnições da PM e dos Bombeiros, e cerca de 10% do quadro é formado por mulheres. Apesar da presença desproporcional, percebe-se uma evolução gradativa no ingresso das candidatas em concursos públicos. No último deles, foram ofertadas 2.433 vagas para soldado, que foram ocupadas por 581 pessoas do sexo feminino, ou seja, 23,8%.
Ao longo da carreira, a atual Comandante-Geral da PM, por exemplo, presenciou várias mudanças que ocorreram para acomodar as mulheres. Quando a Coronel ainda era uma aspirante, não haviam sequer alojamento e banheiro femininos. Naqueles dias, só Audilene e outra aspirante dividiram o espaço, em regime de internato, com dezenas de cadetes, na academia. Hoje, contudo, com as transformações e adequações proporcionadas nos últimos 41 anos, a realidade é bem diferente. Apesar das barreiras encontradas pelas policiais, a superação e obstinação da Cel. Audilene, que sempre teve em sua mãe o exemplo de mulher, servem de espelho para as demais mulheres de todo o Brasil.
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