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Cientistas desenvolvem o primeiro pulverizador eletrostático que pode ser levado nas costas

| 23/04/2018 - 20:26

Cientistas desenvolvem o primeiro pulverizador eletrostático que pode ser levado nas costas

A Embrapa Meio Ambiente (SP), em parceria com a empresa Magnojet, desenvolveu um acessório de eletrificação de gotas para ser usado em pulverizadores costais comuns. A solução leva a tecnologia de pulverização eletrostática, até então dependente de altos investimentos, ao pequeno produtor rural.

Outro equipamento da mesma área amplia a aplicação dessa tecnologia às espécies arbóreas. Voltado a pulverizadores turbinados, esse acessório foi criado por meio de parceria com a empresa FM Copling e permite que cafezais e pomares também recebam químicos por eletrostática, economizando insumos e reduzindo impactos ambientais. Os dois lançamentos serão apresentados na abertura da 25ª edição da Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação (Agrishow-2018), em Ribeirão Preto (SP).

“São tecnologias capazes de modernizar e baratear os tratos culturais em nossas culturas e elevar o nível de controle de pragas e doenças, com expressiva redução do uso de produtos químicos nas lavouras. Essas são opções de equipamentos que os produtores já demandavam e que agora poderão encontrar no mercado”, conta o pesquisador da Embrapa Meio Ambiente Aldemir Chaim, que lidera essa linha de pesquisa há mais de 30 anos.

Pulverização eletrostática para o pequeno produtor

O sistema criado pela Embrapa possibilita que todo pulverizador comum costal passe a operar com gotas eletrificadas. O produto chegará ao mercado por meio da parceria entre a Embrapa e a empresa Magnojet, de Ibaiti (PR). Segundo Eduardo Gonzaga, coordenador técnico da indústria paranaense, com o novo dispositivo no mercado, pequenos produtores passarão a contar com a opção de pulverizadores costais hidráulicos capazes de eletrificar as gotas. O equipamento é indicado para a maioria das culturas de pequeno porte, como olerícolas ou culturas em estufas, no uso de aplicações de tratamento fitossanitário, como inseticidas, fungicidas e acaricidas.

De acordo com Chaim, da Embrapa, a aplicação de agrotóxicos praticada por pequenos agricultores, atualmente, não difere muito daquela praticada nos anos de 1980. “Pouco ou nenhum investimento na eficiência de deposição dos agrotóxicos nos alvos foi acrescido”, revela o pesquisador.

Tecnologia pode beneficiar até 4,5 milhões de propriedades

O cientista salienta que dados do Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirmam o crescimento da agricultura familiar, cujas unidades produtivas passaram de 4,1 milhões para 4,5 milhões e já representam 88% do número total de estabelecimentos agropecuários.

“Esse é o setor que coloca a maioria dos alimentos na mesa dos brasileiros e esse equipamento vai contribuir para a democratização de uma tecnologia de pulverização de ponta, capaz de gerar resultados, agregar economia de tempo, recurso e insumos, além de maior segurança nas operações”, acredita o cientista da Embrapa.

Na média, pulverizadores hidráulicos comuns, operando com eletrostática, agregam 40% a 60% de economicidade ao processo e de 50% a 60% de eficiência. Traduzindo, é possível realizar um controle de pragas com menos tempo, pela metade dos insumos (calda) e com o dobro de eficiência, aproximadamente.

A Magnojet informa que haverá algumas unidades do pulverizador para a venda ao público durante as solenidades de lançamento do produto no estande da empresa na Agrishow. O preço aproximado do pulverizador costal da Magnojet com o acessório eletrostático instalado, na capacidade de dez litros de calda, será de R$ 500,00; e com capacidade para 20 litros, R$ 600,00.

Equipamento interrompe automaticamente a aplicação

Para receber o sistema de eletrificação das gotas de pulverização, o pulverizador da FM Copling precisou ser redesenhado para priorizar a redução no consumo de insumos e tempo de operação. Foram incluídos sensores projetados especificamente para reconhecer diferenças entre árvores e mudas, ação que interrompe a pulverização onde há falhas no plantio e durante manobras do equipamento, voltando a pulverizar tão logo os sensores detectem as plantas-alvo. A empresa pretende disponibilizar o produto no mercado dentro de dois meses.

Para adquirir o equipamento, na sua configuração mais completa, que inclui um conjunto de válvulas hidráulicas para controle dos bicos de pulverização, comandos elétricos, sensores blindados e o sistema de eletrificação dos bicos, o produtor deverá investir aproximadamente R$ 70 mil.

60% mais economia e menor impacto ambiental

A literatura científica aponta que quando a eletrostática é empregada com critério no controle de pragas e doenças de plantas, é capaz de promover uma redução de até 60% no volume de calda utilizada e aumentar sensivelmente a deposição de produto nas plantas, quando comparado aos métodos usuais. Resultados de testes e depoimento de uso de produtores em várias regiões do mundo indicam que a pulverização eletrostática, em alguns casos, pode proporcionar inclusive a redução no número de aplicações, ou seja, diminuição no custo do tratamento fitossanitário de diversas culturas.

Fonte: Marcos Vicente/Embrapa Meio Ambiente

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